O CESTO DE DAVIR JACQUES LOUIS


por Talis Andrade

    
 
      No espelho dos teus olhos
      o desejo de me ver
      que seja uma única vez
 
      Eu pago o preço
      mesmo que custe
      o temido castigo
      de ter os olhos
      para sempre vendados
      com uma faixa tecida
      por hábil tricotadeira
      todos os dias
      ajoelhada
      com as companheiras
      junto à guilhotina
      alegre vivandeira
      do terror
      o terror político
      transformado
      em espetáculo
 
      O rosto voltado
      para a terra
      a cabeça decepada
      em um só golpe
      a cabeça jogada
      no cesto forrado
      com seco capim
      para absolver
      o sangue golfado
 
      No horrendo cesto
      sanguinoso cesto
      em que revoam
      um enxame de almas
      a cabeça mumificada
      por Davir
      os olhos abertos
      revirados de cego
      que mais desejam ver 

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