Papa Francisco: Há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. Nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico

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Neste dia 25 de Dezembro, Dia de Natal o Papa Francisco dirigiu-se à “cidade e ao mundo” na tradicional Mensagem e Benção Urbi et Orbi. Publicamos aqui o texto integral pronunciado pelo Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Cristo nasceu para nós, exultemos no dia da nossa salvação!Abramos os nossos corações para receber a graça deste dia, que é Ele próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).

Neste dia, nasceu da Virgem Maria Jesus, o Salvador. O presépio mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os pastores de Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em cada ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em cada família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de Deus encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o «sinal» de Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas que é Filho do Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador, porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração.

Ele, só Ele, nos pode salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis.

Onde nasce Deus, nasce a esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra. E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído. Oxalá israelitas e palestinenses retomem um diálogo directo e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira.

Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos actos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.

Aos nossos irmãos, perseguidos em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e força.

Paz e concórdia, pedimos para as queridas populações da República Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do Sul, a fim de se reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua.

Que o Natal traga verdadeira paz também à Ucrânia, proporcione alívio a quem sofre as consequências do conflito e inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro.

Que a alegria deste dia ilumine os esforços do povo colombiano, para que, animado pela esperança, continue empenhado na busca da desejada paz.

Onde nasce Deus, nasce a esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade. E, todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico.

Não falte o nosso conforto às pessoas que fogem da miséria ou da guerra, viajando em condições tantas vezes desumanas e, não raro, arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem.

Neste dia de festa, o Senhor dê esperança àqueles que não têm trabalho e sustente o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana.

Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Esta é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal.

E assim hoje, juntos, exultemos no dia da nossa salvação. Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8).

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O CARPINTEIRO

 

Como reconhecer
o Filho do Homem
se em Jerusalém
era considerado
um curandeiro

Em Nazaré
não realizou
nenhum  feito
que justificasse
a fama de milagreiro

Os conterrâneos
indagaram
– Não é este o carpinteiro
filho de Maria
Não vivem aqui
irmãs e irmãos

Talis Andrade, O Judeu Errante, livro inédito

Cunha lavó dinero en nombre de “Jesús”

LUJOS Y DELITOS DEL EVANGELICO DIPUTADO CONSAGRADO A LA MISION DE DERROCAR A DILMA

Cunha compró dos Porsche con dinero obtenido de sobornos en el escándalo del “Petrolao”

Cunha compró dos Porsche con dinero obtenido de sobornos en el escándalo del “Petrolao”

Los detalles de sus delitos, respaldados con documentos llegados de Suiza, donde escondió una fortuna, fueron divulgados tres días después de que Cunha estuvo a un tris de iniciar el proceso de “admisibilidad” del juicio político a Dilma.

Por Darío Pignotti
Página 12/  Argentina

Pasear en Porsche es algo divino. La Justicia brasileña descubrió que Eduardo Cunha, el evangélico diputado consagrado a la misión de derrocar a Dilma Rousseff por considerarla falta de ética, compró dos Porsche Cayenne, con dinero obtenido de sobornos en el escándalo del “Petrolao”. Uno de los Porsche se lo obsequió a su esposa, la periodista Claudia Cruz, muy bonita, de quien tal vez se enamoró cuando ella conducía los noticiosos de la TV Globo. El enemigo público número uno de Dilma lavó dinero sucio de petróleo a través de empresas de fachada como “Jesus.com.” y cuentas bancarias de una iglesia neopentecostal.

Los detalles de esos delitos, respaldados con documentos llegados de Suiza, donde escondió millones de dólares, fueron divulgados el viernes pasado tres días después de que Cunha estuvo a un tris de iniciar el proceso de “admisibilidad” del juicio político. Esto es, el golpe contra Dilma. Cunha, del oficialista (ma non troppo) Partido Movimiento Democrático Brasileño (PMDB) tuvo como aliado al Partido de la Socialdemocracia Brasileña (PSDB) conducido por Aécio Neves, candidato presidencial en 2014 cuando Dilma lo derrotó por un pequeño margen en el ballottage.

El asalto golpista del martes 13 parecía inexorable pero fue neutralizado a último momento por el Supremo Tribunal Federal a través de una medida cautelar que desbarató, por lo pronto, la trama sediciosa acordada por Cunha y los hombres de Neves. Estas dos derrotas consecutivas del plan destituyente, el martes, a través de la cautelar del Supremo, y el viernes con las pruebas que imputan a Cunha, trajeron un respiro al gobierno.

Aunque no fue aventada la amenaza desestabilizadora, que promete continuar por meses sino años, sus principales instigadores Cunha y Neves, quedaron desmoralizados. Y en el caso de Cunha amenazado de un proceso que puede dejarlo sin fueros.

Dilma puede salir del pantano de la ingobernabilidad si sabe sacar provecho del traspié de sus adversarios y revisar los errores cometidos por su gobierno. Pero que nadie espere milagros. La presidenta no recuperará en el corto plazo la popularidad perdida, sólo la respalda el 10 por ciento, ni reactivará de inmediato una economía en recesión de casi el 3 por ciento para 2015. Está malherida pero no moribunda. Y tiene la legitimidad democrática que le reportan más de 54 millones de votos. Los sondeos, mañosos, inducen a creer que más del 60 por ciento de los brasileños apoya el impeachment, cuando lo cierto es que el activismo golpista se sustenta en las clases medias y blancas, las cuales le arrebataron la calle a la izquierda con movilizaciones que convocaron a millones de inconformes este año. No está demostrado que esa rebelión conservadora haya seducido a los sectores populares que, eso sí, rechazan el programa del neoliberal ministro Joaquim Levy que aumentó el desempleo, redujo salarios y recortó los recursos de algunos programas sociales.

Advertido de que Dilma le dio la espalda a sus electores con un programa similar al que hubieran aplicado los socialdemócratas de Neves, Luiz Inácio Lula da Silva comenzó una campaña para moderar el ajuste y promover la salida del titular de Hacienda, Levy. Con sombrero de campesino o sindicalista, según el auditorio, está recorriendo el país para recomponer el diálogo con los movimientos populares. El martes, el día que no ocurrió el golpe, Lula de gorrita con visera roja recibió a Dilma en el Congreso de la Central Unica de los Trabajadores, donde hubo consignas contra el impeachment y de rechazo al supuesto “tercer turno” electoral que quiere forzar Aécio Neves, después de perder en el segundo el año pasado.

Más allá de la mística del acto, donde también estuvo el ex presidente uruguayo José Mujica, se observa que la presidenta aún cuenta con algún margen de maniobra para dialogar con la mayor organización gremial que tiene como bandera el fin del ajuste. A partir de mañana comenzará a develarse la suerte de Levy en Hacienda y del “pemedebista” Eduardo Cunha en la presidencia de Diputados, y con ello el destino de un gobierno incierto.

Samuca

Samuca

“Jesus was homeless, too”

Pope visits the homeless in DC

sem teto papa

By Inés San Martín

After delivering a historic speech at a joint meeting of Congress in English, Pope Francis went back to his native Spanish to address those with whom he feels more comfortable: the poor. Meeting a group of homeless people, he told them, “Jesus was homeless, too.”

“The Son of God came into this world as a homeless person,” the pontiff said at St. Patrick in the City church in Washington, DC. “The Son of God knew what it was to start life without a roof over his head.”

Francis delivered his remarks in Spanish, with the live translation of Monsignor Mark Miles, an official of the Vatican’s Secretariat of State who interprets for the pontiff when he’s addressing English speakers.

“Good day,” the pope began in Spanish. “You’re going to hear two statements, one in Spanish and one in English.”

“You may ask: Why are we homeless, without a place to live?” Francis told the crowd of 200 that packed the church. “These are questions which all of us might well ask. Why do these, our brothers and sisters, have no place to live? Why are these brothers and sisters of ours homeless?”

True to form, Francis shied away from a lunch on Capitol Hill in favor of blessing the meal being served to homeless men and women at Catholic Charities. The menu? Teriyaki chicken, pasta salad, green beans, and carrots.

The pontiff said there’s no social or moral justification for a lack of housing, but he also had words of hope for those who suffer injustice: “We know that God is suffering with us, experiencing them at our side. He does not abandon us.”

Addressing those who work with the Church in its mission to bring not only spiritual but also material aid to those in need, the pontiff said that “charity is born of the call of a God who continues to knock on our door, the door of all people, to invite us to love, to compassion, to service of one another.”

In a deeply pastoral address after his 50 minutes in Congress, Francis said that Jesus continues to knock on the doors of the faithful. “He doesn’t do this by magic, with special effects, with flashing lights and fireworks,” he said. “Jesus keeps knocking on our door in the faces of our brothers and sisters, in the faces of our neighbors, in the faces of those at our side.”

He also said that in prayer, there are no rich or poor, but only brothers and sisters. So at the end of his remarks, he invited those gathered to share a moment of prayer, with many reciting the Our Father with the pope in Spanish.

Laudato si’

Texto completo da encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum

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«LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras».

Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos. 

El Papa Francisco denuncia las lacras del mundo actual, presentes en el calvario de Cristo

Clama contra algunos problemas como la corrupción o la indiferencia de las personas ante quienes sufren

 

Papa paixão

paixão

El Papa Francisco presidió este viernes el Vía Crucis en el Coliseo de Roma y, a su término, denunció con firmeza las lacras o problemas que afligen al mundo en la actualidad, representadas todas ellas en «la crueldad» del calvario de Cristo.

El Pontífice siguió este acto desde la colina del Palatino, situada frente al Anfiteatro Flavio, y a sus pies se congregaron miles de personas que asistieron a esta sugestiva ceremonia que rememora el camino de Jesús de Nazaret hacia su ejecución y muerte. Al término de la misma, Bergoglio pronunció una breve alocución en la que denunció la «crueldad» de algunas situaciones actuales que se corresponden, a su juicio, con el calvario de Cristo, como la corrupción o la indiferencia de las personas ante quienes sufren.

«En la crueldad de tu Pasión, Señor, vemos la crueldad de nuestras acciones y a todos los abandonados por los familiares, por la sociedad. En tu cuerpo herido vemos a aquellos desfigurados por nuestra indiferencia», lamentó en tono sobrio.

También recordó a «nuestros hermanos cristianos» que «son perseguidos, decapitados y crucificados ante nuestros propios ojos y, a menudo, con nuestro silencio cómplice». Durante el Vía Crucis, de más de una hora de duración, el Papa permaneció sumido en un profundo recogimiento.

Mientras, la cruz fue pasando de unas personas a otras hasta completar su recorrido desde el Coliseo hasta el Palatino, pasando por cada una de las catorce estaciones que componen su tránsito. En cada una de estas etapas se leyó una de las catorce meditaciones redactadas, esta vez, por Renato Corti, obispo emérito de la ciudad septentrional italiana de Novara, y que hicieron referencia a problemas actuales como la corrupción de menores.

Los encargados de portar la cruz este año fueron representantes de diferentes circunstancias sociales, de tal modo que participaron en el acto enfermos, familias y personas procedentes de zonas en conflicto como Irak, Siria, Nigeria o Tierra Santa.El cardenal vicario de Roma, Agostino Vallini, fue el encargado de inaugurar y clausurar el Via Crucis, un acto que inició con la recomendación de fortalecer la fe mediante «la oración, la vigilancia, la sinceridad y la verdad».

En el año en el que la Santa Sede celebrará el Sínodo de la Familia –entre el 4 y el 25 de octubre–, esta célula de la sociedad estuvo muy presente en el Via Crucis. Así, durante las tres estaciones sucesivas portaron la cruz dos familias numerosas italianas y otra con hijos adoptivos naturales de Brasil.

Ponerse en lugar del otro

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En este sentido, Corti reseñó «los dramas familiares presentes en el mundo» que, a su juicio, «son fáciles de juzgar pero es más importante ponerse en el lugar de los otros y ayudarles en la medida de los posible». En este sugestivo recorrido también estuvieron representados los enfermos como Marzia De Michele, que portó la cruz acompañada por su hermana y su asistente.

También se abordó la presencia femenina en el mundo y, en esta ocasión, las mujeres estuvieron representadas por sor Sundus Qasmusa y sor Susan Sulaima, dos monjas dominicanas de Santa Catalina de Siena procedentes de Irak. También portaron la cruz dos hombres de nacionalidad siria, durante una estación en la que se meditó sobre fenómenos como la soledad, el abandono, la indiferencia o la pérdida de seres queridos.

«Inconmensurable es el sufrimiento de aquellos que se ven involucrados en acontecimientos crueles, en palabras de odio o de falsedad. Que se topan con corazones de piedra que provocan lágrimas y conducen a la desesperación», recordó Corti en su texto.

También participaron en este Via Crucis personas procedentes de Nigeria, Egipto o China, un país, este último, con el que el Vaticano no mantiene relaciones diplomáticas desde 1951 y con el que, en la actualidad, se estaría produciendo un acercamiento.

Los dos ciudadanos chinos portaron la cruz durante una estación en la que se recapacitó sobre «los acontecimientos que violan la dignidad del hombre» como el tráfico de personas, los niños soldado o «el trabajo que se convierte en esclavitud».

En este momento el autor denunció la situación de «los muchachos y los adolescentes que son ultrajados, vulnerados en su intimidad, bárbaramente profanados», en alusión a los jóvenes que padecen abusos sexuales. «Tú (Jesús) nos empujas a pedir perdón con humildad a quienes sufren estos ultrajes y a rezar para que finalmente se despierte la conciencia de quien ha oscurecido el cielo en la vida de las personas», dijo. ABC/ España

 

“Nossa vida não termina diante da pedra de um sepulcro”

A pedra removida

 

vaticano ressur

«A pedra do sofrimento foi removida deixando espaço à esperança»: na evocativa imagem escolhida pelo Papa Francisco para descrever «o grande mistério da Páscoa», está a chave de leitura para viver o tríduo santo. De facto, na vigília do início das celebrações pascais, o Pontífice dedicou a audiência geral ao «ápice de todo o ano litúrgico» e, acrescentou, «também o ponto culminante da nossa vida cristã». Porque, explicou aos numerosos fiéis presentes na praça de São Pedro, «a nossa vida não acaba diante da pedra de um sepulcro»; ao contrário, «vai além com a esperança em Cristo que ressuscitou precisamente daquele sepulcro».

“Adorando a Cruz, olhando Jesus, pensemos no amor, no serviço, na nossa vida, nos mártires cristãos e também nos fará bem pensar no final da nossa vida. Ninguém de nós sabe quando isso vai acontecer, mas podemos pedir a graça de poder dizer: Pai, fiz o que pude. Está consumado”.

 

Última Ceia (C. 1150). Catedral de Chartres, França

Última Ceia (C. 1150). Catedral de Chartres, França

 

O Tríduo se abre com a celebração da Última Ceia. Jesus, na véspera de sua paixão, oferece ao Pai o seu corpo e o seu sangue sob as espécies de pão e de vinho e, doando-os em alimento para os apóstolos, ordenou-lhes perpetuar a oferta em sua memória. O Evangelho desta celebração, recordando o lava pés, exprime o mesmo significado da Eucaristia sob outra perspectiva. Jesus – como um servo – lava os pés de Simão Pedro e dos outros onze discípulos (cfr Jo 13, 4-5). Com esse gesto profético, Ele exprime o sentido da sua vida e da sua paixão, aquele do serviço a Deus e aos irmãos: “O Filho do homem, de fato, não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45).

Isso aconteceu também no nosso Batismo, quando a graça de Deus nos lavou do pecado e fomos revestidos de Cristo (cfr Col 3, 10). Isso acontece cada vez que fazemos o memorial do Senhor na Eucaristia: fazemos comunhão com Cristo Servo para obedecer ao seu mandamento, aquele de nos amarmos como Ele nos amou (cfr Jo 13, 34; 15, 12). Se nos aproximamos da santa Comunhão sem estarmos sinceramente dispostos a lavarmos os pés uns dos outros, não reconhecemos o Corpo do Senhor. É o serviço de Jesus que doa a si mesmo, totalmente.

Depois, depois de amanhã, na liturgia da Sexta-Feira Santa, meditamos o mistério da morte de Cristo e adoramos a Cruz. Nos últimos instantes de vida, antes de entregar o espírito ao Pai, Jesus disse: “Está consumado!” (Jo 19, 30). O que significa esta palavra? Que Jesus diga: “Está consumado”? Significa que a obra da salvação está cumprida, que todas as Escrituras encontram seu cumprimento no amor de Cristo, Cordeiro imolado. Jesus, com seu Sacrifício, transformou a maior injustiça no maior amor.

Ao longo dos séculos há homens e mulheres que, com o testemunho da sua existência, refletem o raio deste amor perfeito, pleno, não contaminado. Gosto de recordar um heroico testemunho dos nossos dias, Don Andrea Santoro, sacerdote da diocese de Roma e missionário na Turquia. Algum dia antes de ser assassinado em Tresbisonda, escreveu: “Estou aqui para morar no meio desse povo e permitir a Jesus fazê-lo emprestando-lhe a minha carne… Uma pessoa se torna capaz de salvação somente oferecendo a própria carne. O mal do mundo seja suportado e a dor seja partilhada, absorvendo-a na própria carne até o fim, como fez Jesus” (A. Polselli, Don Andrea Santoro, as heranças, Cidade Nova, Roma 2008, p. 31). Este exemplo de um homem dos nossos tempos e tantos outros nos apoiam em oferecer a nossa vida como dom de amor aos irmãos, à imitação de Jesus. E também hoje há tantos homens e mulheres, verdadeiros mártires que oferecem suas vidas com Jesus para confessar a fé, somente por esse motivo. É um serviço, serviço do testemunho cristão até o sangue, serviço que Cristo noz fez: redimiu-nos até o fim. E este é o significado daquela palavra “Está consumado”. Que belo será se todos nós, ao fim da nossa vida, com os nossos erros, os nossos pecados, também com as nossas boas obras, com o nosso amor ao próximo, possamos dizer ao Pai como Jesus: “Está consumado”; não com a perfeição com a qual Ele disse, mas dizer: “Senhor, fiz tudo o que pude fazer. Está consumado”. Adorando a Cruz, olhando Jesus, pensemos no amor, no serviço, na nossa vida, nos mártires cristãos e também nos fará bem pensar no final da nossa vida. Ninguém de nós sabe quando isso vai acontecer, mas podemos pedir a graça de poder dizer: “Pai, fiz o que pude. Está consumado”.

O Sábado Santo é o dia em que a Igreja contempla o “repouso” de Cristo no túmulo depois do vitorioso combate da cruz. No Sábado Santo, a Igreja, uma vez mais, se identifica com Maria: toda a sua fé é recolhida nela, a primeira e perfeita discípula, a primeira e perfeita crente. Na obscuridade que envolve o criado, Ela permanece sozinha a manter acessa a chama da fé, esperando contra toda esperança (cfr Rm 4, 18) na Ressurreição de Jesus.

E na grande Vigília Pascal, em que ressoa novamente o Aleluia, celebramos Cristo Ressuscitado centro e fim do cosmo e da história; vigiamos cheios de esperança à espera do seu retorno, quando a Páscoa terá a sua plena manifestação.

Às vezes a escuridão da noite parece penetrar na alma; às vezes pensamos: “agora não há mais nada a fazer” e o coração não encontra mais a força de amar… Mas justamente naquela escuridão Cristo acende o fogo do amor de Deus: um brilho quebra a escuridão e anuncia um novo início, algo começa no escuro mais profundo. Nós sabemos que a noite é “mais noite”, é mais escura pouco antes que comece o dia. Mas justamente naquela escuridão é Cristo que vence e acende o fogo do amor. A pedra da dor é abatida, deixando espaço à esperança. Eis o grande mistério da Páscoa! Nesta noite santa, a Igreja nos entrega a luz do Ressuscitado, para que em nós não haja o remorso de quem diz “por agora…”, mas a esperança de quem se abre a um presente cheio de futuro: Cristo venceu a morte, e nós com Ele. A nossa vida não termina diante da pedra de um sepulcro, a nossa vida vai além com a esperança em Cristo que ressuscitou justamente daquele sepulcro. Como cristãos, somos chamados a ser sentinelas da manhã, que sabem discernir os sinais do Ressuscitado, como fizeram as mulheres e os discípulos reunidos no sepulcro na aurora do primeiro dia da semana.

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias do Tríduo Santo não nos limitemos a celebrar a paixão do Senhor, mas entremos no mistério, façamos nossos os seus sentimentos, as suas atitudes, como nos convida a fazer o apóstolo Paulo: “Tenhais em vós mesmos os sentimentos de Cristo Jesus” (Fil 2, 5). Assim, a nossa será uma “feliz Páscoa”.