Nós, leitores, e a Petrobras

por Carlos Castilho

medo imprensa jornalismo terror

O público brasileiro está sendo submetido a um verdadeiro massacre informativo envolvendo a corrupção na Petrobras. A intensidade do noticiário já deixou de ser uma opção questão meramente jornalística para se transformar num caso típico de campanha movida pelos principais órgãos de imprensa do país.

Os fatos passaram a ser menos importantes do que as versões e o que era inicialmente a cobertura de um escândalo de corrupção desdobrou-se numa trama de problemas que no seu conjunto procura transmitir aos consumidores de notícias a percepção de que o país caminha para o caos.

O caso das propinas na Petrobras acabou vinculado pela imprensa à crise energética quando o uso de combustíveis para amenizar os efeitos da redução da capacidade de geração hidrelétrica do país provocou uma disparada nos preços ao consumidor. O link entre Petrobras e a crise hídrica permitiu criar a sensação de instabilidade e insegurança econômica entre as pessoas que já não sabem mais quando e como começará o racionamento de energia e se a inflação vai disparar ou não.

A análise da estratégia noticiosa adotada pela imprensa aponta claramente na direção de um acúmulo, intencional ou não, de problemas. Os casos Petrobras e crise hídrica serviram de pretexto para que instituições internacionais de credibilidade duvidosa, como a agência Moody’s, rebaixassem o Brasil nos mercados financeiros internacionais, o que provocou um efeito cascata da desvalorização do real e o fantasma da fuga de investidores externos.

Esse conjunto entrelaçado de notícias sem a devida contextualização tende a aumentar a orfandade do público, e há duas alternativas possíveis: uma é o cansaço e exaustão do público em relação a repetição exaustiva no noticiário de depoimentos, documentos, acusações, explicações canhestras envolvendo tanto o caso da Petrobras como o da crise hídrica. O desdobramento seria a perda de interesse.

A outra alternativa é o fim da paciência dos leitores, que passariam a exigir medidas drásticas – o que criaria o ambiente adequado para mudanças institucionais tanto na estatal petrolífera como no próprio governo. A imprensa, obviamente, nega esta intenção mas sua estratégia na produção e veiculação de notícias envolvendo a crescente associação entre a corrupção na Petrobras e a crise hídrica torna quase inevitável uma radicalização política que pode vir tanto pelas ruas como por maquinações legislativas ou judiciais.

O que nós, leitores, ouvintes, telespectadores ou internautas estamos perdendo é a noção de onde estão os fatos reais. O caso da Operação Lava Jato tende a transmitir para a população a ideia de que a Petrobras está quebrada por conta das estimativas bilionárias da corrupção interna, mas o respeitado comentarias da Folha de S.Paulo Janio de Freitas aponta, com dados, justamente o contrário (ver “Reino do ‘nonsense’”). Janio tem um histórico de integridade profissional intocável e não arriscaria seu prestígio numa informação sem fundamento.

O mesmo acontece com a crise de falta d’água, onde a avalancha de dados a favor e contra o racionamento se avolumam com um claro predomínio das percepções pessimistas. A gente só descobre que há um outro lado na questão hídrica quando vai para as redes sociais, blogs e páginas web alternativas. Nenhum lado chega a ser 100% convincente porque a crise hídrica é tão complexa quanto as investigações do escândalo de Petrobras.

A confusão informativa cresce na proporção direta da intensificação do bombardeio noticioso que funciona como uma espécie de preparação do estado de espírito do público em relação a medidas futuras mais radicais. Referências à privatização da Petrobras e ao impeachment da presidente Dilma Rousseff já circulam nas redações e lobbies político-empresariais.

Não há dúvida de que sempre existiu corrupção na Petrobras porque o superfaturamento e as propinas são instrumentos institucionais na política brasileira há décadas e sem eles a maioria esmagadora dos políticos com mandato não teria sido eleita. Também não há dúvida de que a falta de chuvas agravou o problema energético do país. São questões recorrentes que foram transformadas pelo noticiário da imprensa em crises terminais da politica energética vigente no país.

A solução para ambas teria que surgir num ambiente tranquilo de reflexão, debate e experimentação, envolvendo uma participação crescente da sociedade brasileira que, no fundo, é a principal e maior interessada. Mas o que a imprensa e os políticos estão fazendo é criar um clima de agitação, instabilidade, insegurança e imprevisibilidade para dissimular a luta pelo poder. Nós, leitores, somos as principais vítimas desse processo, porque não sabemos o que está acontecendo. Os porta-vozes do governo estão desacreditados por sua insistência numa visão rósea da realidade nacional, enquanto a oposição e os interesses corporativos adotam o discurso pessimista.

A conjuntura atual está claramente vinculada ao início da batalha eleitoral para a sucessão de Dilma. Depois que o escândalo do mensalão cortou um dos mananciais de financiamento ilegal de campanhas eleitorais do PT e aliados, a Petrobras passou a ser a grande torneira para irrigar a o projeto da volta de Lula ao poder. A Operação Lava Jato está fechando também esta fonte de recursos para o caixa 2 eleitoral, com o claro objetivo de asfixiar financeiramente o Partido dos Trabalhadores. É uma estratégia editorial vinculada a uma estratégia eleitoral, só que a imprensa procura induzir o público a achar que o objetivo é exclusivamente moralizador. Observatório da Imprensa

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Los angelitos de Charlie

Libertad, Igualdad, Publicidad

Fadi Abou Hassan

Fadi Abou Hassan

 

por Fernando Buen Abad Domínguez
Rebelión

“Allons enfants de la Patrie”… la guerra de propaganda burguesa llama a sus hijos a reactivar trincheras y ocupar todo el territorio del relato imperial. La derecha europea se alebresta y fiel a su costumbre agita banderas de populismo snob en los balcones de sus monopolios mediáticos. Usaron el repudio mundial a un asesinato para legitimar su “todo vale” burgués. Los expertos en silenciar a los pueblos lloriquearon mediáticamente para informarnos que profundizarán su guerra de IV generación. A su libertad de agresión le llaman “libertad de expresión”.

Todas las cartas están a la vista. Detrás de la hipocresía oligarca, que sacó a pasear a sus gerentes para enmascarar con luto lenguaraz la xenofobia y el hambre de belicismo, se agitan las perversiones nazi-fascistas más peligrosas para la humanidad. Todas las denuncias y rechazos al asesinato de los periodistas de Charlie Hebdo se han manipulado para sembrar el “huevo de la serpiente” que en defensa de la “libertad de expresión” burguesa profundizará la censura a la libre expresión de los trabajadores y de los pueblos. En el trasfondo está también la guerra económica contra Rusia y China mientras defienden al euro. A cualquier costo. Literalmente.

No es difícil ver la agenda del silenciamiento que tiene fechas cruciales. Barak Obama, experto gerente de la guerra y en espiar al mundo entero, quiere protagonizar una “Cumbre sobre Seguridad Global” el 8 de febrero y no es otra cosa más que un plan represivo planetario para liberar territorios mercantiles que den sobrevida al capitalismo putrefacto. Es la respuesta a la “multipolaridad” abierta por el avance geo-estrategico de China y Rusia y es la venganza mafiosa de la industria bélica contra Putin que los hizo regresarse de la “línea roja” cuando les abortó el negocio de invadir a Siria. Todo está archivado en la memoria de los negocios de la muerte. Esa agenda represora tiene decorados electorales que también son un gran negocio para la guerra de propaganda. ¿Quién lo administra?

El asunto nodal es asegurar y hacer crecer a la industria bélica yanqui y eso incluye a sus armas de guerra ideológica trasvertidos como “medios de comunicación” y hacer crecer, también, esa industria opresora de conciencias. Su target es sembrar miedo y confusión, criminalizar a los líderes sociales y obligar a las víctimas a disfrutar y agradecer la esclavitud de su conciencia, entre bailes, consumismo y endeudamiento. Los bancos también son armas de guerra económica contra la clase trabajadora. Hay cifras obscenas al “por mayor”. Les importa sembrar miedo. Exitoso, horrendo y añoso juego burgués del miedo. Se trata de espantarnos poniendo ante nuestros ojos la imagen de nosotros mismos. Nos hacen mirarnos como lo “otro”, lo “externo”, lo “extranjero”, lo que invade y lo que amenaza. Nos hacen vernos como lo de la calle, lo que pasa en las calles, en el “afuera” donde (dicen) habitan las peores amenazas, donde anda el pueblo, donde anda la clase trabajadora que tanto temen y que tanto explotan.

No hay dudas de que el arsenal ideológico burgués necesita, como al aire, de profundizar la preeminencia de todas sus mercancías (objetivas y subjetivas) en un “mercado” saturado y competido a mansalva. Un ejército de publicistas creativos y serviles pasan sus días y noches inventando fetichismos de toda especie para desahogarles las bodegas. La lógica imperial, que es por definición criminal, necesita suprimir competencias para asentarse en el reino de los precios y fijarlos a su antojo. Para eso se estorban entre ellos mismos y habrán de desplegar los más sofisticados método de traición hasta asegurarse el control total de los mercados. Es esa su historia reciente y ese su destino. Si para eso hay que inventar nuevas semánticas a la “libertad”, a la “igualdad” y a la “fraternidad” de la clase dominante… sea pues, que al fin y al cabo son ellos los dueños de las herramientas de producción de sentido. Si para eso el imperialismo ha de resucitarse en París, sea pues, que no le faltarán gerentes dispuestos para una foto histórica que haga patente la hipocresía y el servilismo. Si para eso hay que matar a 12 en Francia, a 43 en Ayotzinapa… nada importa mientras se los pueda usar como cortina de humo plañidero para esconder las verdaderas intenciones capitalistas.

La llamada “nueva guerra fría” se calienta los pies con pantallas de televisión y portadas de diarios. Exhiben sus arietes ideológicos a “ocho columnas” siempre bien camuflados por la verborrea de sus publicistas (de bienes, servicios y política) vendedores de ideología chatarra. Pero el relato también se les gasta y necesitan siempre, con urgencia, de episodios sórdidos capaces de garantizar algunas cuantas semanas de amarillismo que, bien administrado, alcance para varios medios y varios modos. Y le dan la vuelta al mundo con su maniqueísmo de ocasión haciéndose ellos, siempre, lo buenos de la Historia. Hasta la náusea. Ya debe haber contratos para escribir el “Best Seller”, filmar la película, el documental y la serie de televisión… basados en los asesinatos de Charlie Hebdo. En esta guerra mediática los muertos también son una mercancía.

Nosotros no podemos dejarnos llevar por las “lágrimas de cocodrilo” burgués ni por la emoción de los hipócritas que preparan guerras contra nuestros pueblos. Lo que hoy es acusación contra el “terrorismo” mañana será contra las luchas revolucionarias que ya en varios países son consideradas “terroristas” y enemigas del “progreso” burgués. Los gerentes burgueses, que hoy lagrimean en Francia, son los mismos que avasallaron, por ejemplo, a Irak, Libia, Siria, Palestina… su luto no es más que otra forma de la guerra de propaganda para desorientar a las masas y camuflar los verdaderos intereses del capitalismo. No aceptemos que los pueblos pierdan de vista al enemigo que está en los bancos y lo confundan con un dogmático fundamentalista suicida proveniente de tierras exóticas porque eso es, justamente, lo que quiere la industria de las armas para justificar los ataques y sus negocios. No perdamos la atención sobre lo que amenaza a la humanidad por más que agiten las banderas apocalípticas en Francia o en el Pentágono. El capitalismo se pudre día a día y eso debe animarnos a profundizar las luchas sin aturdirnos con el “show” de la muerte y sin dejar de repudiar a todo terrorismo criminal comenzando con el del capitalismo y sus negocios bélicos. Los yanquis y los imperios.