EM NOME DOS PAIS


O jornaleiro

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por Gustavo Krause

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Em nome dos pais,
a natureza submeteria os seres vivos
a um único ritmo:
nascer, crescer, envelhecer e morrer.

Em nome dos pais,
a natureza seria regida por uma lei
com um artigo único:
“os filhos não morrerão antes dos pais”.

Em nome dos pais,
a criança seria eterna,
lambuzada em leite e mel,
de calças curtas, curtindo o desobedecer.

Em nome dos pais,
o rapaz imberbe seria terno,
envolto em rebeldia adolescente,
de sonhos largos, consumindo o amanhecer.

Em nome dos pais,
sua criatura seria um doce anjo.
Sem asas, não voaria para longe.
Caminharia sobre as nuvens da terra.

Em nome dos pais,
não haveria a morte injusta
da flor contida, da estrofe incompleta,
do poema inacabado, da vida por viver.

Em nome dos pais,
não subsistiria, no álbum da família,
a improcedência de um olhar sem brilho,
compondo a saudade do quadro.

Ver o post original 63 mais palavras

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