Papa elogia Evo Morales e sinaliza mediação na disputa por saída ao mar


“Estou pensando no mar. Diálogo. Diálogo”, disse Bergoglio durante sua visita à Bolívia
El papa Francisco usa un sombrero típico de la región de Santa Cruz mientras saluda al presidente boliviano, Evo Morales, durante un encuentro con movimientos sociales en Santa Cruz (Bolivia)./ EFE

El papa Francisco usa un sombrero típico de la región de Santa Cruz mientras saluda al presidente boliviano, Evo Morales, durante un encuentro con movimientos sociales en Santa Cruz (Bolivia)./ EFE

por Pablo Ordaz/ El País/ Espanha


O papa Francisco endereçou um indiscutível elogio às políticas de Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, assim que desembarcou na quarta-feira à tarde no aeroporto de La Paz. “Como são belos os países que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes, e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento!”, exclamou Jorge Mario Bergoglio, horas depois de deixar o Equador, onde também não escondeu suas simpatias pelo presidente Rafael Correa, apesar do rechaço que algumas de suas medidas estão despertando em amplos setores da sociedade.

Espera-se que a visita de Francisco sirva para trazer avanços à centenária aspiração da Bolívia a recuperar o acesso ao mar através do Chile. O presidente Morales incluiu em seu breve discurso – encurtou como deferência ao Papa por causa do frio e da altitude — uma alusão ao conflito: “Bem-vindo, irmão Papa, a uma parte da grande pátria à qual foi mutilado o acesso ao mar.”

Bergoglio, durante um encontro com a sociedade civil, aproveitou a oportunidade ao considerar “indispensável” construir pontes diplomáticas: “Todos os temas, por mais espinhosos que sejam, têm soluções compartilhadas, razoáveis, equitativas e duradouras. E, em todo caso, nunca devem ser motivo de agressividade, rancor ou inimizade, que agravam ainda mais a situação e tornam mais difícil sua resolução.” Em seguida, improvisando sobre o discurso que trouxe escrito, acrescentou: “Estou pensando no mar. Diálogo. Diálogo.” Bergoglio deu assim o primeiro passo para fazer a possível mediação entre a Bolívia e os países vizinhos.

Recentemente, intelectuais da Bolívia, do Chile e do Peru, convocados pela Universidade Católica argentina, elaboraram uma proposta de solução, batizada de “ata de Lovaina”, para esse velho conflito. O fato de que o reitor da universidade é Víctor Manuel Fernández, um dos homens mais próximos do Papa, leva a crer que o extenso trabalho diplomático atual do Vaticano se engaje num conflito levado pela Bolívia ao Tribunal Internacional de Haia.

A chegada de Francisco ao aeroporto de El Alto, situado a 4.100 metros do nível do mar, estava cercada de certa curiosidade para saber se o Papa, que foi submetido à extração parcial de um pulmão há 55 anos e que sofreu no passado do soroche (mal-estar causado pela altitude), recorreria ao remédio típico local – mastigar folha de coca — durante suas quatro horas de estada em La Paz. Assim que Bergoglio desceu do avião, Morales ofereceu uma chuspa, a bolsa tecida a mão onde os indígenas costumam levar a folha de coca para mascar.

Em seu discurso no aeroporto de El Alto, Bergoglio deixou claro seu apoio às políticas de Evo Morales: “A Bolívia está dando passos importantes para incluir amplos setores na vida econômica, social e política do país. Conta com uma Constituição que reconhece os direitos dos indivíduos, das minorias, do meio ambiente e com instituições sensíveis a essas realidades.”

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