Joaquim Barbosa e a “revolução” da elite branca contra Dilma


 

A oposição no Brasil é branca. Foto na Paulista de Marlene Bergamo

A oposição no Brasil é branca. Foto na Paulista de Marlene Bergamo

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Informa o Brazil Post que Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) “e algoz da turma do mensalão, saiu da batcaverna mais uma vez.

Joaquim Barbosa, apelidado de “Batman”, comparou o clima das manifestações golpistas pró-impeachment de Dilma Rousseff com as revoluções francesa e russa e o golpe de Deodoro.  Disse Joaquim:

“1) quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolucão francesa?

2) em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu.

3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1a guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia”.

São estranhas comparações. Nas revoluções francesa e russa, o povo pediu o fim da tirania, e a ordem unida exaltada por Joaquim reivindicou um golpe nazista, o retorno da ditadura que derrubou o governo popular de Jango.

O símbolo nazista na marcha unida exaltada por Joaquim

O símbolo nazista na marcha unida exaltada por Joaquim

 

A Proclamação da República, no Brasil, não teve a presença do povo. Um golpe militar que fez ditador o monarquista Deodoro, que não mexeu com as estruturas do poder, notadamente com o feudalismo agrário escravocrata, revoltado contra a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.

Talvez Joaquim tenha vislumbrado, liderando a multidão branca, a mítica Marianne

A Liberdade conduzindo o povo, por Eugène Delacroix

A Liberdade conduzindo o povo, por Eugène Delacroix

 

Muitos imaginam Marianne conduzindo o povo na Revolução Francesa.

A Liberdade Guiando o Povo (La Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Uma mulher, representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, levando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra.

Delacroix retratou a Liberdade, tanto como figura alegórica de uma deusa como uma mulher robusta do povo.

O monte de cadáveres atua como uma espécie de pedestal de onde a Liberdade passa. O barrete que ela usa simbolizou a liberdade durante a primeira Revolução Francesa, de 1789-1794.

Litografia colorida, da autoria de Cândido da Silva (?) alusiva à revolução que deflagrou na noite de 3 de Outubro de 1910, em Lisboa, e que conduziu à proclamação da República Portuguesa.

Litografia colorida, da autoria de Cândido da Silva (?) alusiva à revolução que deflagrou na noite de 3 de Outubro de 1910, em Lisboa, e que conduziu à proclamação da República Portuguesa.

 

A miragem de Joaquim da Revolução, na ordem unida de 15 de março último, adveio da nudez de algumas manifestantes

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Joseph Jurt no ensaio O Brasil: um Estado-nação a ser contruído, apresenta  O papel dos símbolos nacionais, do Império à República:

“Segundo José Murilo de Carvalho, houve várias razões para que uma tradição de alegoria feminina da República não se desenvolvesse no Brasil. Por um lado, a função da mulher como símbolo foi, neste país, muito marcada pela tradição católica, já ocupada pela figura da Maria. A República impôs, de acordo com o programa de laicização dos positivistas, a separação entre Igreja e Estado; sendo assim, os meios eclesiásticos opuseram, com sucesso, a figura da Virgem àquela da República. Por outro lado, se, por ocasião da Revolução Francesa, mas também de movimentos revolucionários posteriores na França, as mulheres tinham tido um papel ativo, no Brasil, à mulher somente era atribuído um papel na vida privada, e nenhum na vida pública. Mesmo no Partido Republicano, relativamente radical, não havia membros femininos.

Para além disso, na França, tratava-se de substituir com vigor uma figura masculina forte e multissecular, aquela do Rei. A iconografia francesa da mulher como alegoria da República provém diretamente da alegoria clássica da Liberdade. No Brasil, em uma República cujo suporte mais importante era o Exército — quase todos os cargos da Administração anteriormente civil seriam ocupados por oficiais no Brasil — a Liberdade (como valor e como alegoria feminina) não podia ser propulsada ao primeiro plano, ocupado por valores mais militares de disciplina e ordem.

Foi antes a princesa Isabel, regente do Brasil no momento em que seu pai, o imperador Pedro II, esteve ausente por razões de saúde, que pôde encarnar a realidade da liberdade. Foi sob sua regência que a Lei Áurea foi de fato promulgada, em 1888, marcando a abolição total da escravatura no Brasil. A princesa é glorificada com o título de “Isabel, a Redentora” e figurava em medalhas do movimento abolicionista, tendo em uma das mãos os grilhões rompidos e, na outra, o decreto da abolição. Mas os representantes da nova República não iriam promover uma figura tão importante da defunta monarquia”.

Tanto que em São Paulo, a polícia do governador Geraldo Alckmin terminou prendendo uma manifestante por atentado ao pudor.

Rafael Alves Pinto Junior também cita José Murilo de Carvalho: o instrumento clássico de legitimação de regimes políticos no mundo moderno é, naturalmente, a ideologia, a justificação racional da organização do poder. Se por um lado, como discurso ideológico, a República permaneceu inscrita no polígono das elites no Brasil, por outro lado, seus partidários encontraram na construção de uma imagética republicana, um eficaz instrumento de manipulação de todo um imaginário social.

A partir deste ponto,  a obra Alegoria da República, pintada por Manoel Lopes Rodrigues (1861-1917) em 1896, como um dos elementos de construção de um imaginário e uma visualidade que correspondesse aos ideais do regime iniciado em 1889.

MANUEL LOPES RODRIGUES (1861-1917)- Alegoria da República, 1896. Óleo sobre tela, 230 x 120 cm. Salvador, Museu de Arte da Bahia.

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