A propina na Petrobras durante o governo FHC fica longe das manchetes…


por Altamiro Borges

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Desde quinta-feira (5), os jornalões e as emissoras de rádio e tevê não param de bater bumbo sobre a suposta “propina de R$ 200 milhões” do PT.

O bombardeio se baseia nas denúncias de Pedro Barusco, ex-diretor da Petrobras envolvido no esquema de corrupção da estatal. Tentando gozar das benesses da chamada delação premiada, ele “teria dito” – em mais um vazamento seletivo e criminoso – que o partido recebeu “aproximadamente” este montante. Não apresenta qualquer prova e nem precisava.

A mídia já julgou, condenou e fuzilou o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari. Ela só deixou de dar destaque para outro “pequeno detalhe” do depoimento de Pedro Barusco: “O ex-gerente da Petrobras diz ter recebido propina desde 1997”, relatam os jornalistas Fausto Macedo e Mateus Coutinho, do Estadão. Mas este fato – que envolve diretamente o “ético” FHC e outros tucanos de alta plumagem, não mereceu manchetes. O Jornal Nacional, da TV Globo, nem sequer mencionou este trecho do suspeito depoimento.

Segundo o Estadão, “o ex-gerente Executivo de Engenharia da Petrobrás, Pedro Barusco, afirmou em sua delação premiada que o esquema de propinas da estatal começou com o primeiro contrato de navio-plataforma com a holandesa SBM Offshore, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O delator admitiu que, naquela época, recebeu propinas mensalmente em valores que variavam entre US$ 25 e US$ 50 mil, e que teria recebido um total de US$ 22 milhões em propinas da empresa holandesa até 2010. Entre 1995 e 2003, Barusco, que era funcionário de carreira da estatal, ocupou o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações, no âmbito da diretoria de Exploração e Produção. Ele admitiu que começou a receber propina em ‘1997 ou 1998’, ‘por conta de dois contratos de FPSO (navios-plataforma) firmados mediante sua (de Barusco) participação técnica e ‘fundamental’, uma vez que era o coordenador da área técnica’, diz a delação”.

Ainda de acordo com a reportagem, “o ex-gerente relata que foi o responsável pelo primeiro contrato do tipo na estatal, que foi ‘peça fundamental’ dos contratos seguintes de navios-plataforma da Petrobrás, pelos quais ele também admite ter recebido propina. ‘Por conta de relacionamento bastante próximo que o declarante (Barusco) desenvolveu com o representante da SBM, Julio Faerman, tanto o declarante solicitou quanto Julio ofertou o pagamento de propina, sendo uma iniciativa que surgiu de ambos os lados e se tornou sistemática a partir do segundo contrato de FPSO firmado entre a SBM e a Petrobrás’, relata a delação de Barusco. Em seu extenso depoimento, o executivo detalhou as contas por onde o dinheiro das propinas da SBM passou, sendo guardado na Suíça”.

“Barusco explicou que os acordos eram de longa duração e que, por isso ‘o pagamento de propinas perdurou por longos anos’ enquanto ele ocupou o cargo na Diretoria de Exploração e Produção. Além disso, ele admitiu ter recebido propina ‘por ocasião de outro contrato firmado entre a empresa Progress, representada por Julio Faerman e a Transpetro’, em ‘1997 ou 1998’. Ainda segundo Barusco, as propinas acertadas entre ele e Julio Faerman continuaram nos anos seguintes, quando ele já havia ocupado o cargo de gerente-executivo de Engenharia, na diretoria de Abastecimento de Paulo Roberto Costa. Ele admitiu, por exemplo ter recebido propina de Faerman por um contrato de 2007, já no governo Lula, da plataforma P57. O valor total do contrato, segundo o ex-gerente, era de R$ 1,2 bi, do qual ele admitiu ter recebido 1% de propina entre 2007 e 2010. Investigada na Holanda, a SBM Offshore, empresa de locação de navios-plataforma a petroleiras, é acusada de pagar US$ 250 milhões em propinas em todo mundo”.

Sangrar Dilma e destruir a Petrobras

Se confirmado este trecho da sinistra “delação premiada”, ficaria confirmado que o esquema de corrupção na Petrobras é antigo. Que ele começou durante o reinado de FHC – que inclusive abrandou as regras de licitação e facilitou o desvio de grana para a corrupção. Ficaria ainda provado que várias empresas – que agora tentam posar de vítimas – há muito se utilizam de mecanismos ilícitos para obter privilégios.

O esquema de pagamento de propina é internacional. Não afeta apenas o Brasil. Tais fatos abalariam a campanha denuncista da mídia tucana, que explora o vazamento ilegal dos depoimentos para desgastar a imagem do governo Dilma e para atacar a Petrobras.

A mídia privada e entreguista, com destaque para o próprio Estadão, sempre fez campanhas visando destruir a Petrobras, privatizá-la e entregá-la às multinacionais do petróleo.

No que se refere às denúncias de corrupção contra o PT, a legenda imediatamente reagiu. “A assessoria de imprensa do PT reitera que o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral. As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje (5), seguem a mesma linha de outras feitas em processos de ‘delação premiada’ e que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT”, afirma a nota oficial.

Já o tesoureiro da sigla, João Vaccari – que foi vítima de um circo midiático da “condução coercitiva” montado em sua residência – também divulgou nota em que afirma que, “por sua defesa, vem a público para dizer que há muito ansiava pela oportunidade de prestar os esclarecimentos que nesta data foram apresentados à Polícia Federal, para de forma cabal, demonstrar as inúmeras impropriedades publicadas pela imprensa nos últimos meses, envolvendo seu nome. Reitera, mais uma vez, que o PT não tem caixa dois, nem conta no exterior, que não recebe doações em dinheiro e somente recebe contribuições legais ao partido, em absoluta conformidade com a Lei, sempre prestando as respectivas contas às autoridades competentes. Sua defesa registra ainda, que o Sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades, para prestar todos e quaisquer esclarecimentos, e que sua condução coercitiva, desta data, entendeu-se desnecessária, pois bastaria intimá-lo”.

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