Para os petroleiros os inimigos da Petrobras estão contra Dilma e o Brasil

* Federação Única dos Petroleiros denuncia: A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.

* A Petrobrás já nasceu sob o ataque de “inimigos externos e predadores internos”, como destacou a presidenta Dilma Rousseff. Contra a criação da empresa, em 1953, chegaram a afirmar que não havia petróleo no Brasil. São os mesmos que sabotaram a Petrobrás para tentar privatizá-la, no governo do PSDB, e que combateram a legislação do Pré-Sal

* O povo brasileiro, mais uma vez, que defenderá a empresa construída por gerações, que tem a alma do Brasil e simboliza nossa capacidade de construir um projeto autônomo de Nação

 

petroleiros

 

Manifesto dos petroleiros para a Nação:
Defender a Petrobrás é defender o Brasi

 

Há quase um ano o País acompanha uma operação policial contra evasão de divisas que detectou evidências de outros crimes, pelos quais são investigadas pessoas que participaram da gestão da Petrobrás e de empresas fornecedoras. A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e rigorosa punição dos culpados.

É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados.

A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.

Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, o devido processo legal vem dando lugar ao tráfico seletivo de denúncias, ofensivo à consciência jurídica brasileira, num ambiente de obscuridade processual que propicia a coação e até o comércio de testemunhos com recompensa financeira. Na aparente busca por eficácia, empregam-se métodos que podem – isto, sim – levar à nulidade processual e ao triunfo da impunidade.

E tudo isso ocorre em meio a tremendas oscilações no mercado global de energia, num contexto geopolítico que afeta as economias emergentes, o Brasil, o Pré-Sal e a nossa Petrobrás.

Não vamos abrir mão de esclarecer todas as denúncias, de exigir o julgamento e a punição dos responsáveis; mas não temos o direito de ser ingênuos nessa hora: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás, ávidos por se apossar da empresa, de seu mercado, suas encomendas e das imensas jazidas de petróleo e gás do Brasil.

Historicamente, tais interesses encontram porta-vozes influentes na mídia e nas instituições. A Petrobrás já nasceu sob o ataque de “inimigos externos e predadores internos”, como destacou a presidenta Dilma Rousseff. Contra a criação da empresa, em 1953, chegaram a afirmar que não havia petróleo no Brasil. São os mesmos que sabotaram a Petrobrás para tentar privatizá-la, no governo do PSDB, e que combateram a legislação do Pré-Sal.

Os objetivos desses setores são bem claros:

– Imobilizar a Petrobrás e depreciar a empresa para facilitar sua captura por interesses privados, nacionais e estrangeiros;

– Fragilizar o setor brasileiro de Óleo e Gás e a política de conteúdo local; favorecendo fornecedores estrangeiros;

– Revogar a nova Lei do Petróleo, o sistema de partilha e a soberania brasileira sobre as imensas jazidas do Pré-Sal.

Para alcançar seu intento, os predadores apresentam a Petrobrás como uma empresa arruinada, o que está longe da verdade, e escondem do público os êxitos operacionais. Por isso é essencial divulgar o que de fato aconteceu na Petrobrás em 2014:

– A produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia (no Brasil e exterior);

– O Pré-Sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia;

– A produção de gás natural alcançou 84,5 milhões de metros cúbicos/dia;

– A capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia, com a operação de quatro novas unidades;

– A produção de etanol pela Petrobrás Biocombustíveis cresceu 17%, para 1,3 bilhão de litros.

E, para coroar esses recordes, em setembro de 2014 a Petrobrás tornou-se a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto, superando a ExxonMobil (Esso).

O crescente sucesso operacional da Petrobrás traduz a realidade de uma empresa capaz de enfrentar e superar seus problemas, e que continua sendo motivo de orgulho dos brasileiros.

Os inimigos da Petrobrás também omitem o fato que está na raiz da atual vulnerabilidade da empresa à especulação de mercado: a venda, a preço vil, de 108 milhões de ações da estatal na Bolsa de Nova Iorque, em agosto de 2000, pelo governo do PSDB.

Aquela operação de lesa-pátria reduziu de 62% para 32% a participação da União no capital social da Petrobrás e submeteu a empresa aos interesses de investidores estrangeiros sem compromisso com os objetivos nacionais. Mais grave ainda: abriu mão da soberania nacional sobre nossa empresa estratégica, que ficou subordinada a agências reguladoras estrangeiras.

Os últimos 12 anos foram de recuperação e fortalecimento da empresa. O País voltou a investir em pesquisa e a construir gasodutos e refinarias. Alcançamos a autossuficiência, descobrimos e exploramos o Pré-Sal, recuperamos para 49% o controle público sobre o capital social da Petrobrás.

O valor de mercado da Petrobrás, que era de 15 bilhões de dólares em 2002, é hoje de 110 bilhões de dólares, apesar dos ataques especulativos. É a maior empresa da América Latina.

A participação do setor de Óleo e Gás no PIB do País, que era de apenas 2% em 2000, hoje é de 13%. A indústria naval brasileira, que havia sido sucateada, emprega hoje 80 mil trabalhadores. Além dos trabalhadores da Petrobrás, o setor de Óleo e Gás emprega mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.

É nos laboratórios da Petrobrás que se produz nosso mais avançado conhecimento científico e tecnológico. Os royalties do petróleo e o Fundo Social do Pré-Sal proporcionam aumento significativo do investimento em Educação e Saúde. Este é o papel insubstituível de uma empresa estratégica para o País.

Por tudo isso, o esclarecimento dos fatos interessa, mais do que a ninguém, aos trabalhadores da Petrobrás e à população brasileira, especialmente à parcela que vem conquistando uma vida mais digna.

Os que sempre tentaram alienar o maior patrimônio nacional não têm autoridade política, administrativa, ética ou moral para falar em nome da Petrobrás.

Cabe ao governo rechaçar com firmeza as investidas políticas e midiáticas desses setores, para preservar uma empresa e um setor que tanto contribuíram para a atração de investimentos e a geração de empregos nos últimos anos.

A direção da Petrobrás não pode, nesse grave momento, vacilar diante de pressões indevidas, sujeitar-se à lógica dos interesses privados nem agir como refém de uma auditoria que representa objetivos conflitantes com os da empresa e do País.

A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira.

É o povo brasileiro, mais uma vez, que defenderá a empresa construída por gerações, que tem a alma do Brasil e simboliza nossa capacidade de construir um projeto autônomo de Nação.

Pela investigação transparente dos fatos, no Estado de Direito, sem dar trégua à impunidade;

Pela garantia do acesso aos dados e esclarecimentos da Petrobrás nos meios de comunicação, isentos de manipulações;

Pela garantia do sistema de partilha, do Fundo Social e do papel estratégico da Petrobrás na exploração do Pré-Sal;

Pela preservação do setor nacional de Óleo e Gás e da Engenharia brasileira.

Defender a Petrobrás é defender o Brasil – nosso passado de lutas, nosso presente e nosso futuro.

Federação Única dos Petroleiros

 

 

“Companheiro-patrão” esfola jornalistas

por Altamiro Borges

 

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Demissões, arrocho salarial, precarização do trabalho e clima de terror e censura nas redações. E o Brasil ainda “é o único país do mundo em que os jornalistas chamam o patrão de companheiro”, como costuma se indignar o veterano Mino Carta. Na semana passada, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro promoveu um debate com Fernando Amorim, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) para subsidiar a campanha salarial deste ano. Os dados apresentados pelo economista confirmam a selvageria praticada pelos barões da mídia contra a sofrida categoria – que ainda possui muita gente que come mortadela, mas arrota caviar!

Entre outros abusos, Fernando Amorim relatou que as empresas de comunicação têm recorrido cada vez mais à demissão de antigos profissionais para contratar novos com salários mais baixos. Como resultado, a renda da categoria está minguando. A remuneração de um profissional da TV aberta no Rio de Janeiro, por exemplo, foi reduzida de, em média, R$ 3.960 para R$ 2.870 entre janeiro e dezembro de 2014. A alta rotatividade explica a depreciação salarial: foram demitidos 142 jornalistas e contratados 188 profissionais ganhando salário 72% menor. Nas redações dos jornais cariocas, a desvalorização também é drástica. Nos doze meses de 2014, a remuneração média nesse segmento caiu de R$ 2.726,74 para R$ 2.367,85 – uma diferença de 86% entre os salários dos funcionários demitidos e admitidos.

Este brutal arrocho visa apenas elevar os lucros dos barões da mídia, que não têm qualquer preocupação com a qualidade do trabalho jornalístico. Fernando Amorim exibiu gráficos que comprovam que “o lucro das empresas de comunicação é inversamente proporcional ao salário dos jornalistas”. Os gráficos mostram que, apesar do discurso de crise no setor, as corporações lucram cada vez mais. As rádios, por exemplo, faturaram 65,7% a mais entre 2005 e 2013 (passando de R$ 114 milhões para R$ 189 milhões). Nas emissoras de TV, a margem é ainda maior: 132% (de R$ 1,06 bilhão para R$ 2,56 bilhões). Até setembro de 2014, o faturamento publicitário do setor evoluiu 9,3% (rádios) e 10,7% (TVs). “A desoneração da folha de pagamentos, tornada permanente pelo governo federal, ainda permitiu às emissoras economizarem R$ 163,4 milhões até maio de 2014”, relata o site do sindicato.

“Pejotização” e assédio moral

Além da rotatividade como estratégia para reduzir os salários, as corporações midiáticas têm cometido outras irregularidades para elevar seus lucros. No final de janeiro, o Ministério Púbico do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) abriu procedimento para apurar denúncias feitas pelo Sindicato dos Jornalistas sobre violações trabalhistas. Dossiê elaborado pela entidade detalha os abusos cometidos, como a contratação de profissionais na condição de pessoa jurídica – a famigerada “pejotização” –, o desrespeito à jornada legal de trabalho da categoria e o assédio moral. O documento foi entregue ao procurador-geral do Trabalho, Luís Camargo, e ao procurador-chefe substituto do MPT-RJ, Fábio Goulart Villela.

Segundo o dossiê, a “pejotização” é uma prática frequente nas redações dos veículos e nas assessorias de imprensa do Rio de Janeiro, fazendo com que os jornalistas não tenham os seus direitos trabalhistas assegurados. Já o desrespeito à jornada legal de cinco horas é classificado como um “problema crônico”. Nem mesmo o descanso semanal remunerado é praticado pelas empresas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê um dia de descanso remunerado imediatamente após seis dias seguidos de trabalho, mas ela não é cumprida nas redações. Também há casos de contratação de jornalistas como radialistas – por estes terem carga de trabalho maior – assim como casos graves de assédio moral.

O número de jornalistas com pedido de licença médica por razões psicológicas é enorme e tem por origem a forma desrespeitosa como são tratados, equipes diminutas, escalas exaustivas, multifuncionalidade (jornalista realiza diversas funções ao mesmo tempo), dentre outras”, aponta um trecho do dossiê. Na audiência com os procuradores, na semana passada, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas apresentou a proposta de parceria com o MPT para divulgar campanhas e recomendações às empresas pelo fim do assédio moral. Diante deste quadro assustador, ainda tem jornalista no Brasil que trata o empresário como companheiro e que reproduz servilmente a visão patronal. Lamentável!

Aos canalhas que querem destruir a Petrobrás

 

O jornalista Mauro Santayanna, um dos mais experientes do País, publicou um importante artigo sobre a campanha de desmoralização da Petrobras

* “É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política”

* “A Petrobras não é apenas uma empresa. Ela é uma Nação. Um conceito. Uma bandeira. E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível. Esta é a crença que impulsiona os que a defendem. E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la”

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Aos canalhas que querem destruir a Petrobrás

por Mauro Santayanna

 

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.

A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.

E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

O que importa mais na Petrobras?

O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.

Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?

Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.

A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.

Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.

Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

É necessário punir os ladrões que a assaltaram?

Ninguém duvida disso.

Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.

A Petrobras não é apenas uma empresa.

Ela é uma Nação.

Um conceito.

Uma bandeira.

E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

 

Novo governo grego quer encabeçar uma aliança de forças de esquerda na Europa

A linha do “euro bom” confronta-se com a realidade

 

Artigo do economista e deputado do Syriza Costas Lapavitsas, publicado no Guardian

Costas Lapavitsas. Foto Left.gr

Costas Lapavitsas. Foto Left.gr

A primeira semana do novo governo da Grécia já trouxe um abalo considerável à política da UE, mas há muito mais a caminho. Primeiro, é preciso lidar com o boato amplamente espalhado de que a coligação de governo entre o Syriza, partido que represento no parlamento, e os Gregos Independentes (Anel) significa uma diabólica aliança “vermelho-acastanhada”. O Anel não é uma versão suave dos fascistas da Aurora Dourada. É um partido nacionalista que representa amplos setores de base conservadora, e têm sido consistentes na oposição às desastrosas políticas de austeridade. No que respeita à dívida pública grega, a sua posição até pode ser considerada à esquerda do Syriza.

Escusado será dizer que o Syriza teria preferido formar governo sozinho, mas os resultados eleitorais não o permitiram. Para sua vergonha, o Partido Comunista Grego recusou entrar ou até apoiar um governo do Syriza. Não há outro partido com um historial anti-memorandos no parlamento grego. O dilema para o Syriza, então, era o de formar um governo com o Anel e aplicar o programa anti-memorando, ou deixar o país ir de novo a eleições, o que seria desastroso tanto para a economia como para a sociedade.

Fizemos a escolha acertada.

A realidade do Syriza no poder apareceu mal o governo se formou. Vários ministros fizeram anúncios notáveis após tomarem posse: suspensão das privatizações da eletricidade e do petróleo, readmissão dos funcionários públicos despedidos, revogação da desregulamentação laboral, aumento do salário mínimo, entre outras. Entretanto, o novo ministro das Finanças declarou que o país não negociará mais com a troika da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. A Grécia não se submeterá à avaliação prevista do seu programa de resgate, mesmo que isso signifique deixar de receber este ano a fatia de 7.200 milhões de euros do empréstimo da troika. De facto, o país já não considera que a troika tenha um estatuto institucional válido. E para rematar, a Grécia pareceu distanciar-se da política da UE no que respeita às sanções à Rússia.

A reação da bolsa de Atenas foi imediata: os preços das ações caíram, em especial os da banca. É provável que a pressão financeira regresse esta semana, uma vez que os bancos estão a perder liquidez e os investidores internacionais andam muito irrequietos. A reação dos responsáveis políticos europeus tem sido de descrença incrédula, mal disfarçada pelas subtilezas diplomáticas. Sem dúvida que houve telefonemas muito irritados para Atenas nos últimos dias.

O governo Syriza é inexperiente, mas seria um erro pensar que se trata de um grupo de agitadores a arranjar brigas com tudo e todos. O que está a fazer é a aplicar a “linha” – para usar um termo da esquerda à moda antiga – com que ganhou o poder. Concretamente, está a aplicar a linha do “euro bom”, ao dizer que a União Económica e Monetária (UEM) e a própria UE podem ser radicalmente transformadas a partir de dentro. A direção do Syriza não tem nenhuma intenção de tirar a Grécia da UEM. Além disso, acredita que o preço da “Grexit” seria tão alto que a Europa não iria empurrar a Grécia para fora do euro. Por isso, acredita que a emergência de uma aliança poderosa das forças de esquerda por toda a Europa poderia terminar com o pesadelo da austeridade, o fardo da dívida podia ser amenizado em todo o continente, poderiam ser aplicadas políticas de criação de emprego e reforçar o Estado-Providência. A Europa seria transformada.

Não admira que as ações do governo Syriza tenham provocado uma enorme onda de apoio na Grécia. Há a sensação palpável de alívio e de orgulho nacional entre os cidadãos comuns, a sensação de recuperar alguma dignidade ao fim de anos a serem tratados de forma revoltante. Outros desenvolvimentos encorajantes são as vozes poderosas que surgem em apoio do Syriza a nível internacional, incluindo a do presidente Obama.

No entanto, a prova de fogo do “euro bom” só virá quando Berlim e Angela Merkel começarem a mostrar o seu jogo.

A dura realidade é que a UE tem uma enorme capacidade de influência sobre a Grécia. O país tem agendados os maiores reembolsos de dívida no próximo período, o maior dos quais no início do verão, que será impossível de cumprir sem novo financiamento. O financiamento das medidas inscritas no programa do Syriza na frente doméstica não é seguro, mesmo que o governo tenha por objetivo simplesmente um orçamento equilibrado. A receita fiscal tem caído, em parte pela enorme pressão dos impostos imposta pela troika e em parte pela perturbação eleitoral. Será necessária uma enorme e rápida reorganização da coleta fiscal para assegurar o financiamento das medidas previstas para aliviar as principais vítimas da crise. E os bancos prosseguem a sua dependência absoluta da liquidez fornecida pelo BCE, estando suscetíveis à fuga de depósitos.

A pressão para o Syriza diluir as suas reivindicações e cumprir com os requisitos base do programa de resgate será provavelmente feroz. Se a liderança do Syriza não se dispuser a ceder à pressão, será fundamental que receba forte apoio internacional, incluindo boas propostas práticas sobre como lidar com as enormes dificuldades que tem pela frente. É necessária mais discussão, por exemplo sobre se a Grécia deve pagar por inteiro a parte da dívida detida pelo BCE e o FMI (cerca de 70 mil milhões de um total de 320 mil milhões de euros). A base legal e moral dessa dívida é seguramente contestável.

A linha do “euro bom” começa a confrontar-se com a realidade e há dois aspetos da maior importância: primeiro, não se pode deixar que as forças da austeridade, que atualmente estrangulam a Europa, esmaguem a experiência do Syriza, ou a transformem num compromisso comido pelas traças; em segundo lugar, o Syriza deve preparar-se de forma sólida e meticulosa para todas as eventualidades, uma questão que é bem compreendida por muitos dos seus membros. O resto é politiquice.

Costas Lapavitsas é professor de Economia na Universidade de Londres e deputado do Syriza. Artigo publicado no Guardian a 2/2/2015, traduzido por Luís Branco para o esquerda.net.

Romero, primeiro da longa lista dos novos mártires contemporâneos

FOI ABERTO UM CAMINHO

Depois do reconhecimento do martírio do arcebispo Romero

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L’Osservatore Romano – Um «protomártir». Primeiro da longa lista dos novos mártires contemporâneos, Oscar Arnulfo Romero será beatificado em San Salvador ainda este ano.

Anunciou-o na quarta-feira 4 de Fevereiro, durante uma conferência na Sala de imprensa da Santa Sé, o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a família e postulador da causa de beatificação do arcebispo assassinado a 24 de Março de 1980 enquanto estava a celebrar a missa em San Salvador. «É um facto providencial – disse o prelado – que esta beatificação aconteça sob o pontificado do primeiro Papa da América Latina», um Pontífice que afirmou que queria uma «Igreja pobre para os pobres»: uma realidade que abre um caminho, que «alarga o horizonte da América Latina», um continente que, a partir do testemunho de Romero, «tem algo importante para dizer ao mundo inteiro».
Analisaram a figura do arcebispo mártir – moderados pelo director da Sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi – monsenhor Jesus Delgado, que foi o secretário pessoal de Romero ao longo dos três anos, de 1977 a 1980, em que guiou a arquidiocese de San Salvador, e o historiador Roberto Morozzo della Rocca, que colaborou na redacção da positio na causa de beatificação. «Aquele dia de 24 de Março – recordou monsenhor Delgado – eu tinha proposto ao arcebispo que tirasse um dia de repouso»: a agenda de Romero marcava seis encontros, um dos quais, às 18h00, era precisamente a celebração da missa. «Se eu chegar atrasado celebra tu», disse-lhe o prelado. Mas depois telefonou ao secretário: «É melhor que não. Eu celebrarei a missa, não quero envolver ninguém nisto». Foram as últimas palavras trocadas com monsenhor Delgado.

Oscar Romero

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Oscar Arnulfo Romero Y Gadamez nasceu em 15 de agosto de 1917, em Ciudad Barrios, em El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Com apenas 13 anos entrou no seminário. Foi para Roma completar o curso de teologia com 20 anos e se ordenou sacerdote, em 1943.

Retornou a El Salvador, na função de pároco. Era um sacerdote generoso e atuante: visitava os doentes, lecionava religião nas escolas, foi capelão do presídio; os pobres carentes faziam fila na porta de sua casa paroquial, pedindo e recebendo ajuda. Durante 26 anos, na função de vigário, padre Oscar Romero conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país.

A maioria dos países sul-americana vivia duras experiências de ditaduras militares, na década de 1970. Também para El Salvador era um período de grandes conflitos. Em 1977, padre Oscar Romero foi nomeado Arcebispo de El Salvador, chegando à capital com fama de conservador. No fundo era um homem do povo, simples, de profunda sensibilidade para com os sofrimentos da maioria, de firme perspicácia aliada à coragem de decisão.

Em 1979, o presidente do país foi deposto pelo golpe militar. A ditadura se instalou no país e, pouco a pouco, se acirrou a violência. Reinou o caos político, econômico e institucional no país. De janeiro a março de 1980 foram assassinados 1015 salvadorenhos. Os responsáveis pertenciam às forças de segurança e às organizações conservadoras do regime militar instalado no país.

Nessa ocasião, dois sacerdotes foram assassinados violentamente por defenderem os camponeses, que foram pedir abrigo em suas paróquias. Dom Romero teve que se posicionar e, de pronto, se colocou no meio do conflito. Não para aumentá-lo, mas para ajudar a resolvê-lo. Esta atitude revelou o quando sua espiritualidade foi realista e o seu coração, sereno e obediente ao Evangelho.

No dia 24 de março de 1980, Dom Romero foi fuzilado, em meio aos doentes de câncer e enfermeiros, enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador.

O assassino um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado nas Escola das Américas.

Sua morte provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador.

Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas em reconhecimento à atuação de Dom Romero em defesa dos direitos humanos.

Sua ação pastoral visava ao entendimento mútuo entre os salvadorenhos. Criticava duramente tanto a inércia do governo, as interferências estrangeiras, como as injustiças praticadas pelos grupos “revolucionários”.

O Arcebispo Dom Oscar Arnulfo Romero foi fiel a Igreja, e pagou com a vida o preço de ser discípulo de Cristo. O seu nome foi incluído na relação dos 1015 salvadorenhos que foram assassinados, em 1980.

SÃO ROMERO DE AMÉRICA PASTOR E MÁRTIR

mausoléu

O anjo do Senhor anunciou na véspera…
O coração de El Salvador marcava
24 de março e de agonia

Tu ofertavas o Pão,
O Corpo Vivo
– o triturado Corpo de teu Povo:
Seu derramado Sangue vitoriosa
– O sangue “campesino” de teu Povo em massacre
que há de tingir em vinhos e alegria a Aurora conjurada!

O anjo do Senhor anunciou na véspera
e o verbo se fez morte, outra vez, em tua morte.
Como se faz morte, cada dia, na carne desnuda de teu Povo.

E se fez vida Nova
Em nossa velha Igreja!
Estamos outra vez em pé de Testemunho,
São Romero de América, pastor e mártir nosso!
Romero de uma Paz quase impossível, nesta Terra em guerra.
Romero em roxa flor morada da Esperança incólume de todo Continente
Romero desta Páscoa latino-americana.

Pobre pastor glorioso,
assassinado a soldo,
a dólar
a divisa.
Como Jesus, por ordem de Império.
Pobre pastor glorioso,
abandonado
por teus próprios irmãos de Báculo e de Mesa.
(As Cúrias não podiam entender-te:
Nenhuma Sinagoga bem montada pode entender a Cristo)

Tua pobreza sim te acompanha,
em desespero fiel,
pastor e rebanho, a um tempo, de tua missão profética.
O Povo te fez santo.
A hora do teu Povo te consagrou no “Kairós”.
Os Pobres te ensinaram a ler o Evangelho.

Como um Irmão
ferido
por tanta morte irmã,
tu sabias chorar, a sós, no Horto.
Sabias ter medo, como um homem em combate.
Porém sabias dar a tua palavra,
livre,
o seu timbre de sino.
E soubeste beber
O duplo cálice
do Altar e do Povo
com essa mesma mão consagrada ao Serviço.
América Latina já te elevou à glória de Bernini
– na espuma-auréola de seus mares,
no retábulo antigo de seus Andes,
no dossel irado de todas suas florestas,
na cantiga de todos seus caminhos,
no calvário novo de todos os seus cárceres,
de todas suas trincheiras
de todos seus altares…
na ara garantida do coração insone de seus filhos!
São Romero de América, pastor e mártir nosso,
ninguém
há de calar
tua última Homilia!
Dom Pedro Casaldáliga – Bispo de São Felix do Araguaia – MT (1980)

“Romero resistió y accedió a dar su vida para defender a su pueblo”: El Vaticano

El Salvador

El Salvador

La beatificación del obispo salvadoreño Óscar Arnulfo Romero, asesinado en 1980 mientras celebraba misa, será celebrada en el curso de 2015 en la capital de El Salvador, informó este miércoles el Vaticano.
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“La fecha no ha sido establecida, pero será antes de finalizar este año 2015. Probablemente en pocos meses, lo más rápido posible”, aseguró en una rueda de prensa el postulador de la causa de canonización, el arzobispo italiano Vincenzo Paglia.

Representantes de la iglesia católica valoran ya dos fecha tentativas para efectuar la ceremonia de beatificación de Monseñor Romero.

Dentro de las posibles fechas para el acto, el cual se celebraría en plaza Salvador del Mundo, se contempla el día del natalicio de Monseñor Romero, el 15 de agosto.

Otra de las probables fechas para la beatificación es el 24 marzo, día en el que el mártir fue asesinado.

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El postulador, representante de la Comunidad San Egidio, mediadora en numerosos conflictos en África y Centroamérica, explicó que entender la figura de Romero exigió tiempo porque “había muchos prejuicios sobre él”, acusado por algunos sectores de ser un “caudillo marxista” al criticar a la oligarquía, la represión y la pobreza que azotaba a su país.
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“Teníamos que esperar la llegada del primer papa latinoamericano para que se beatificara a Romero. Es algo importante porque hay muchas similitudes entre lo que Romero predicaba y el magisterio del papa Francisco y que se resume en querer una Iglesia pobre para los pobres”, afirmó Paglia.
a contemporánea”.
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“Demostramos su martirio milimétricamente”, aseguró Paglia, que lo considera “un mártir de la era contemporánea”.
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‘Es un don extraordinario para toda la Iglesia del comienzo de este milenio ver subir al altar un pastor que dio su vida por su pueblo. También lo es para todos los cristianos, como demuestra la atención de la Iglesia anglicana que ha colocado la estatua de Romero en la fachada de la catedral de Westminster junto a la de Martin Luther King y Dietrich Bonhoeffer, y también para toda la sociedad que ve en él un defensor de los pobres y de la paz. La gratitud va también a Benedicto XVI, que siguió la causa desde el principio y que el 20 de diciembre de 2012, decidió desbloquearla para que prosiguiese su itinerario regular.

 

Na Galeria dos mártires do século XX da Abadia de Westminster- Madre Elisabeth da Rússia, o Rev. Martin Luther King, o Arcebispo Óscar Romero e o Pastor Dietrich Bonhoeffer

Na Galeria dos mártires do século XX da Abadia de Westminster – Madre Elisabeth da Rússia, o Rev. Martin Luther King, o Arcebispo Óscar Romero e o Pastor Dietrich Bonhoeffer

Además Plagia dijo que Monseñor Romero “fue un inspirador y grande defensor”, ante eso se decide acortar el proceso.
Romero creía en su función como obispo y primado del país y se sentía responsable de la población, especialmente de los más pobres: por eso se hizo cargo de la sangre, del dolor, de la violencia, denunciando las causas en su carismática predicación dominical seguida a través de la radio por toda la nación, advirtió el arzobispo italiano.
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Podríamos decir que se trató de una “conversión pastoral”, con la asunción por parte de Romero de una fortaleza indispensable en la crisis que vivía el país. Se convirtió en ‘’defensor civitatis” en la tradición de los antiguos Padres de la Iglesia, defendió al clero perseguido, protegió a los pobres, defendió los derechos humanos.
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Agregó que Monseñor Romero comprendió cada vez más clararamente que para ser el pastor de todos tenía que empezar por los pobres.
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“Poner a los pobres en el centro de las preocupaciones pastorales de la Iglesia y, por tanto, también de todos los cristianos, incluyendo a los ricos, era la nueva forma de la pastoral. El amor preferente por los pobres, no solo no amortiguaba el amor de Romero por su país, sino que, al contrario, lo sostenía”, recordó el representante de la iglesia.
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El clima de persecución era palpable durante los 80s afirmó el arzobispo.
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Pero Romero pasó a ser claramente el defensor de los pobres frente a la feroz represión. Después de dos años de arzobispado de San Salvador, Romero contaba 30 sacerdotes perdidos, entre los asesinados, los expulsados y los reclamados para escapar de la muerte. Los escuadrones de la muerte mataron a decenas de catequistas de las comunidades de base, y muchos de los fieles de estas comunidades desaparecerieron. La Iglesia era la principal imputada y por lo tanto la más atacada. Romero resistió y accedió a dar su vida para defender a su pueblo”, advirtió.
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Romero sabía que su actitud podría costarle la vida, ha sido todo un trabajo interior y visualizó su muerte probable, su muerte estaba preanunciada por el mandato del Evangelio .
Romero bien se pudo haber ido del país pero decía, un Pastor tiene que acompañar a su pueblo en las condiciones en que se encuentre; el significado de su muerte encontramos la fuerza en el interior de su vida y lo que sacerdotes y catequistas asesinados también.
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Durante la conferencia, el arzobispo italiano, también dijo que desde hace tres meses se abrió el proceso de beatificación del padre Rutilio Grande, quien fue asesinado el 12 de marzo de 1977.
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El papa Francisco reconoció el martes como “mártir” de la Iglesia al asesinado arzobispo centroamericano, con lo que aprobó su beatificación sin tener que demostrar que realizó algún milagro para llegar a la gloria de los altares.
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Romero, llamado la “voz de los sin voz”, que denunció las violaciones de derechos humanos y se pronunció contra la represión que sacudía a su país, fue asesinado el 24 de marzo de 1980 por un francotirador de los escuadrones de la muerte en el momento en que ofrecía el vino y el pan.

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El prelado centroamericano, convertido en un ejemplo de una iglesia comprometida contra las injusticias sociales en América Latina, será beatificado tras un proceso que duró más de 20 años y que tuvo muchos enemigos, como reconoció monseñor Paglia. Para Jesús Delgado, secretario privado de Romero, presente en la conferencia de prensa, quien vivió de cerca la transformación que Romero tuvo durante los tres años que estuvo al frente del arzobispado de San Salvador, su beatificación es un llamado a la “unidad y a la paz” de El Salvador.
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“Lo conocí bien. Monseñor Romero amaba a los pobres, pero también a los ricos. Pedía la conversión de todos. Estaba siempre a favor del diálogo”, aseguró.

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