Por que está todo mundo falando do ministro da economia grego


abc. Grécia assusta

 

Certamente que ninguém vai falar de Joaquim Levy, novo ministro da Economia de Dilma.

Qual a diferença entre Levy e Delfim Neto, ministro da ditadura de 64; e Arminio Fraga do BC de FHC, que seria ministro de Aécio Neves; e André Lara Resende do BNDES de FHC,  que estava cotado para ser ministro de Marina?

Levy também é cria do governo de FHC.

No ano de 2000, foi nomeado secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda e, em 2001, economista-chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Em janeiro de 2003, foi designado secretário do Tesouro Nacional, onde ficou até 2006.

No ano seguinte, foi secretário de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro no primeiro mandato de Sérgio Cabral Filho, onde ficou até 2010. De junho deste mesmo ano a 2014 trabalhou na divisão de gestão de ativos do Banco Bradesco (Bradesco Asset Management), ocupando o cargo de diretor-superintendente quando foi nomeado ministro da Fazenda.

No Bradesco, sabia Levy do laranjal escravocrata da Contax?

Levy só não é um Yanis Varoufakis, novo ministro da Economia da Grécia

A carga da dívida grega “está sobre os ombros mais frágeis, os do contribuinte grego”

Yanis Varoufakis

Yanis Varoufakis

por Jaime Rubio Hancock

O Governo do novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, chamou a atenção sobretudo por duas coisas: primeiro, porque os dez ministros são homens: segundo, porque um deles é Yanis Varoufakis. Esse doutor em Economia pela Universidade de Essex nasceu em 1961 e deu aulas nas universidades de Atenas e do Texas. Embora seu perfil seja mais acadêmico do que político, já foi assessor do governo do social-democrata George Papandreau. Seu livro mais recente, O Minotauro Global, afirma que os Estados Unidos e a União Europeia não poderão voltar ao crescimento que viveram em outras épocas, e que é preciso introduzir mais racionalidade na desordem econômica mundial.

“Suas análises nunca deixam os leitores indiferentes. A partir de hoje adquirem um novo significado ao passar da academia para a política”, escrevia na terça-feira no EL PAÍS Joaquín Estefanía em seu perfil. Na espera de ver suas primeiras medidas, e enquanto a bolsa grega despenca, o que está claro no momento é que Varoufakis interessa. Na última semana foram publicados 13.000 tuítes sobre ele. Mas, por que?

1. Porque tem um blog. E o vai manter, como garante no título de sua última atualização, em 27 de janeiro: “Finance Ministry slows blogging down but ends it not” (“o ministro da Economia escreverá menos no blog, mas não deixará de fazê-lo”). Ele assegura que compensará a menor frequência e a menor extensão de suas atualizações com “pontos de vista, comentários e ideias mais substanciais”. Também está presente no Twitter, com uma conta própria (pelo menos, por ora) que tem 139.000 seguidores. Em sua biografia se define como “professor de economia que escreveu obscuros textos acadêmicos durante anos, até ser empurrado para a cena pública por causa da gestão inadequada por parte da Europa de uma crise inevitável”.

2. Porque cita Jonathan Swift. Sua “Uma Modesta Proposição para Resolver a Crise da Zona do Euro”, escrita com Stuart Holland e James K. Galbraith, homenageia em seu título o texto satírico de Swift, escrito também para oferecer a solução a uma crise econômica, a dos irlandeses do século XVIII. Enquanto Swift sugeria às famílias que comessem seus bebês, Varoufakis opta por ideias mais realistas, que passam, entre outras ações, por um programa de investimentos públicos em nível europeu para estimular o crescimento. O texto conclui afirmando que a proposta é modesta porque sua implementação não requer novas instituições, leis ou acordos. Somente cooperação, que considera muito melhor “que a imposição da austeridade”.
3. Porque trabalhou em uma das empresas mais inovadoras do mundo. Uma noite ele recebeu um e-mail de um leitor de seu blogue, que começava dizendo: “Sou o presidente de uma empresa de videogames”.

Varoufakis resistiu à tentação de apagar o que parecia “outra ‘proposta de negócios’ de um maluco” e continuou lendo o que era uma oferta para avaliar as necessidades e os desafios organizacionais de uma das empresas mais inovadoras no que se refere ao seu modo de trabalhar. Ele se reuniu com o fundador da Valve, Gabe Newell, e, apesar de nem estar a par dos videogames, nem ter jogado nenhum desde os Space Invaders em 1981, aceitou a oferta para ser “economista residente”.

O atual ministro pôde avaliar a plataforma de distribuição digital de videogames Steam e o sistema organizacional da empresa, na qual não há chefes e os empregados escolhem os projetos nos quais querem trabalhar. Segundo escreveu Varoufakis em um texto no qual citava aos totens liberais Friedrich Hayek e Adam Smith, a empresa aspira a se transformar em um “vestígio da organização poscapitalista… dentro do capitalismo”.

4. Porque não quer sair do euro. Varoufakis não está apaixonado pela moeda única, mas quer que os gregos continuem usando-a; “A Grécia não quer abandonar o euro nem ameaçar fazê-lo”, explicava em uma entrevista concedida à Open Democracy. “Não deveríamos ter entrado no euro, isso está muito claro, mas, uma vez dentro, seria desastroso sair voluntariamente.” Isso não quer dizer que não vá manter ideias que deem prioridade às necessidades dos gregos em relação à dívida que o país acumula. Entre outras propostas, Varoufakis quer que o pagamento dessa dívida fique condicionado ao crescimento econômico. E o governo grego também elevará o salário mínimo. Nesse sentido, o jornal britânico The Telegraph já suspirou com alívio, dando como título que Varoufakis “não é um extremista”. No artigo lemos como o ministro explica que a carga da dívida grega “está sobre os ombros mais frágeis, os do contribuinte grego”, e que as supostas ajudas da União Europeia não foram mais do que uma “waterboarding” fiscal que transformou essa nação em uma “colônia de dívida”.

5. Porque ele gosta de arte. Muito. Tanto que viajou com a artista Danae Stratou às sete linhas divisórias mais famosas do mundo: Chipre, Kosovo, Belfast, Palestina, Etiópia-Eritreia, Caxemira e a fronteira entre os Estados Unidos e o México. Dessa viagem saíram os textos do ministro em The Globalising Wall, e as exposições Cut – 7 dividing lines e The Globalising Wall da artista grega.

Ambos levaram adiante o projeto Vital Space, uma plataforma aberta para “oferecer um olhar novo sobre as duas crises de nossa era (econômica e ambiental)”, com o objetivo de que “a arte ajude a criar uma conscientização nova e não polarizada sobre os maiores desafios da humanidade na atualidade”.

6. Porque já escreveu sua carta de renúncia. Em seu blog ele explicou, em 9 de janeiro, que “nunca havia tido a intenção de entrar no jogo eleitoral”, mas se apresentava às eleições com o Syriza porque as propostas para sair da crise, de sua Modesta Proposição, “não têm nenhuma oportunidade de ser aplicadas se não forem postas sobre a mesa do Eurogrupo, do Ecofin e nas cúpulas da UE”.

Mas também acrescentava: “Meu maior medo, agora que aceitei o desafio, é que eu possa converter-me em um político. Como antídoto a esse vírus, vou escrever uma carta de renúncia e guardá-la no bolso do paletó, pronta para ser entregue no momento em que perceba sintomas de que estou faltando com o compromisso de dizer a verdade ao poder”.

Não é o único que fez algo parecido. Isso já foi feito por outro político que poderia ser o oposto em tudo de Varoufakis: Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush, escreveu também sua renúncia pouco depois de assumir o cargo, em 2001. Embora em seu caso fosse para o caso de ter problemas de saúde.

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