O líder indígena


Evo hoy

por Héctor Miranda

Morales nasceu em 26 de outubro de 1959 em pleno deserto de Orinoca, no departamento de Oruro, em uma família muito humilde, que mal contava com recursos para viver, o que obrigou o menino a trabalhar desde muito pequeno para ajudar no sustento do lar, assim como na agricultura que na criação das lhamas.

Da pequena casinha de tijolos e palha do Orinoca, Morales saiu junto com seu pai e sua irmã para trabalhar na safra açucareira em Tucumán, na Argentina, o que foi apenas uma saída temporária do lugar onde nasceu, o qual depois abandonou para ir para a zona do Chapare, no departamento de Cochabamba, região central do país.

No Chapare, Morales se converteu em líder cocaleiro e passou a dirigir as chamadas Seis Federações do Trópico, ainda que antes foi secretário de esportes do Sindicato San Francisco, talvez como um prêmio à paixão que sentiu desde criança pela atividade física, sobretudo pelo futebol, que ainda pratica, apesar de seus 55 anos.

Em sua atuação como líder cocaleiro, Morales defendeu os benefícios da milenária folha e sua importância para os bolivianos, motivo pelo qual foi mandado para a prisão e foi golpeado em muitas oportunidades.

Em 1989, inclusive, depois de uma surra, os agentes das Unidades Móveis de Patrulha Rural o deixaram em um monte porque pensaram que estava morto; no entanto, sua valentia e exemplo fizeram com que ganhasse adeptos no Chapare e em todo o país.

Uns anos depois, em Villa Tunari, foi baleado a queima-roupa por agentes da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), mas, como ele mesmo conta, “as balas passaram de raspão, mas fracassaram”.

Em 1997, Morales refundou o MAS, ao qual se uniram as Seis Federações do Trópico, e nesse mesmo ano ganhou como deputado por Cochabamba com 70% dos votos.

Cinco anos depois, em 2002, postulou-se como candidato à presidência e teve mais de 29% dos votos eleitorado, pouco menos de um ponto e meio abaixo do vencedor, Gonzalo Sánchez de Lozada.

Morales e o MAS foram grandes protagonistas dos protestos de outubro de 2003, contra a posição do governo de vender gás aos Estados Unidos através de portos chilenos.

Os protestos, que deixaram 67 mortos e quase 500 feridos, custaram o cargo a Sánchez de Lozada, quem fugiu aos Estados Unidos; e fortaleceu a imagem de Morales, vencedor das eleições gerais dois anos depois, ao obter 53,74% dos votos contra 28,59% do ex-presidente Jorge Tuto Quiroga.

Em 21 de janeiro do ano seguinte, em uma cerimônia religiosa nas ruínas de Tiahuanaco, Morales converteu-se no primeiro presidente indígena da Bolívia e começou a implementar seu plano de governo, baseado sobretudo na nacionalização dos hidrocarbonetos e das principais empresas do país.

Em 2009, depois de ser aprovada uma nova Carta Magna, foi eleito como o primeiro presidente do Estado Plurinacional, com direito a uma reeleição.

Desde que chegou ao Palácio Quemado até os dias de hoje, o atual chefe de Estado priorizou a defesa dos direitos dos povos originários camponeses, a igualdade dos bolivianos, a industrialização do país e a soberania alimentar.

Na campanha eleitoral passada, o presidente insistiu na possibilidade de transformar a Bolívia em um centro energético da região, na industrialização da economia para dar valor agregado aos recursos naturais e na importância de que todos os bolivianos tenham acesso aos serviços básicos fundamentais: água, eletricidade, gás, telefone, Internet…

Sua liderança nos últimos anos transcendeu as fronteiras bolivianas e virou referência mundial, sobretudo em defesa dos direitos indígenas e do meio ambiente.

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