Marcha da hipocrisia


Com líderes assim, o processo de paz no Médio Oriente continuará a ser o que é.

 

Mahmoud Abbas (à dir.), e o  Benjamin Netanyahu (à esq.)

Mahmoud Abbas (à dir.), e Benjamin Netanyahu (à esq.)

por Francisco J. Gonçalves
Correio da Manhã/ Portugal

 

Quando estas linhas forem lidas, já o massacre no ‘Charlie Hebdo’ e a marcha de milhões em Paris estarão quase esquecidos. Ainda assim, queria lembrar uma de muitas hipocrisias da jornada solidária.

Quem seguiu o desfile, viu na primeira fila os líderes de Israel e da Palestina. Parecia um comovente sinal de trégua e unidade. Mas não era.

Benjamin Netanyahu decidiu ir à última hora, por razões eleitoralistas, quando soube que líderes da extrema-direita de Israel estariam presentes. Sabendo disto, o líder palestiniano, Mah-moud Abbas, imitou-o.

Com empurrões e maus modos, Netanyahu chegou-se à frente do desfile e lá encontrou Abbas.

Um e outro estiveram mal. O primeiro pelos modos rudes, pelo convite aos judeus de França a irem viver para Israel em segurança (?) e por ter levado os judeus mortos em Paris a sepultar em Israel, país com o qual só um tinha laços.

Quanto a Abbas, foi a Paris para a fotografia sem ter visitado Gaza desde que, no verão de 2014, Israel aí massacrou milhares de palestinianos.

Com líderes assim, o processo de paz no Médio Oriente continuará a ser o que é: cosmética para iludir os crédulos.

 

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