Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O XLIX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Comunicar a família:
ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor

[17 de Maio de 2015]

 

A Visitação, Giotto

A Visitação, Giotto

 

O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.

Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”» (vv. 41-42).

Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira «escola» de comunicação, feita de escuta e contacto corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.

Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num «ventre», que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é «o espaço onde se aprende a conviver na diferença» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na «língua materna», ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.

A experiência do vínculo que nos «precede» faz com que a família seja também o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos recém-nascidos, a mãe e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, põem-se a recitar juntamente com eles orações simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os avós, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.

Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade. Reduzir as distâncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, é motivo de gratidão e alegria: da saudação de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a bênção de Isabel, seguindo-se-lhe o belíssimo cântico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso desígnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um «sim» pronunciado com fé, derivam consequências que se estendem muito para além de nós mesmos e se expandem no mundo. «Visitar» supõe abrir as portas, não encerrar-se no próprio apartamento, sair, ir ter com o outro. A própria família é viva, se respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias.

Mais do que em qualquer outro lugar, é na família que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo. Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão. O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer. Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.

Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.

Além disso, num mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, a família pode ser uma escola de comunicação feita de bênção. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevitáveis o ódio e a violência, quando as famílias estão separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetráveis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas razões para dizer «agora basta»; na realidade, abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade.

Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar apesar da presença física, de saturar todo o momento de silêncio e de espera, ignorando que «o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo» (Bento XVI, Mensagem do XLVI Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24/1/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contacto com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este «início vivo», saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.

Assim o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.

No fim de contas, a própria família não é um objecto acerca do qual se comunicam opiniões nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, é possível recuperar um olhar capaz de reconhecer que a família continua a ser um grande recurso, e não apenas um problema ou uma instituição em crise. Às vezes os meios de comunicação social tendem a apresentar a família como se fosse um modelo abstracto que se há-de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se há-de viver; ou como se fosse uma ideologia de alguém contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contrário, narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível.

A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.

Vaticano, 23 de Janeiro – Vigília da Festa de São Francisco de Sales – de 2015.

Francisco PP.

 

A Visitação de Maria à Isabel, por Mariotto Albertinelli

A Visitação de Maria à Isabel, por Mariotto Albertinelli

 

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado no mundo inteiro, no Domingo da Ascensão do Senhor, portanto, o dia não é fixo. O tema para cada ano vem do Vaticano. A mensagem completa é publicada no dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas

 

 

Pinturas da Visitação de Maria à Isabel

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos cidadãos alemães

A 13 de janeiro deste ano, Alexis Tsipras dirigiu a todos os cidadãos alemães uma carta aberta, publicada no jornal económico Handelsblatt, em que explica a posição do Syriza sobre a dívida grega e defende que a atual tática “adiar e fingir” aplicada pela Europa será muito onerosa para o contribuinte alemão e condenará uma orgulhosa nação europeia à indignidade permanente. 

Tsipras: está a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Foto de FrangiscoDer

Tsipras: está a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Foto de FrangiscoDer

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.

Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

Grécia nazismo

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.

Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.

No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.

Publicado em Esquerda.Net

Tradução Aventar

GRECIA. Alianzas, mujeres ministras… y los ataques caballunos de los poderes de siempre

 

por Rosa Guevara Landa

Para Mercedes que, como siempre, me ha hecho ver donde yo no mirada
Para AC. Por todo.

 

A política de austeridade, por Manos Symeonakis

A política de austeridade, por Manos Symeonakis

 

En lo que mi memoria ha sido capaz de acuñar de lo vivido y leído, a excepción de algún heroico e infrecuente asalto a los cielos (y es obvio que en Grecia no estamos en ese momento de la Historia), yo no recuerdo ningún gobierno que haya sido capaz de tomar en sus primeros días, además de realizar gestos en absoluto irrelevantes (no juramento, no presencia de la Iglesia Ortodoxa en la toma de posesión, flores en el monumento en honor de la resistencia antinazi), medidas o compromisos como las siguientes:

1. La prevista venta del 30% de las acciones de la Corporación Pública de Energía de Grecia (PPC), la mayor del país, ha sido paralizada con el fin de garantizar el acceso a la energía de las familias sin ingresos.

1.1. Se frenarán también las privatizaciones de puertos y aeropuertos. Perjudican los objetivos sociales.

2. El Gobierno ha prometido subir las pensiones para los ciudadanos con ingresos más bajos y devolver sus puestos de trabajos a algunos de los funcionarios que fueron despedidos.

2.1. Sigue en pie la promesa de subir el salario mínimo hasta los 751 euros mensuales (la cantidad de antes de los recortes-agresiones).

3. El Ministro de Finanzas, Yanis Varoufakis, y el de Economía, Yorgos Stathakis coincidieron en el mismo nudo esencial: las políticas de austeridad (entendidas tal como se han practicado, nada que ver con aquella austeridad de la que habló Enrico Berlinguer y el PCI a finales de los setenta) no benefician a la economía y a las cuentas del país. Es obvio, insistieron, que el país no puede beneficiarse si se sigue con esas políticas.

4. El ministro de Reconstrucción Productiva, Medio Ambiente y Energía, Panayiotis Lafazanis, aseguró que se cancelarán todas las leyes aprobadas por el dictado de la troika de acreedores. Anunció la paralización del proceso de privatización de la compañía pública de electricidad (DEI) que pasará a ser una empresa de interés público que funcionará con criterios no lucrativos.

4.1. El plan del gobierno griego prevé dar electricidad gratis a 300 mil familias que se hallan bajo el umbral de la pobreza.

5. Nikos Vutsis, ministro del Interior, anunció que se concederá la ciudadanía a los niños extranjeros nacidos o criados en Grecia, los inmigrantes de segunda generación, al tiempo que ha decretado el cierre de las cárceles de máxima seguridad por vulnerar los derechos humanos.

6. En política exterior, Nikos Kotzias, su titular, comenzó con un disenso con la Unión Europea. ¿Qué disenso? Se opuso a una nueva declaración de la UE contra Rusia sin informar ni acordar la posición con el gobierno griego. Kotzias asistirá el jueves en Bruselas al Consejo extraordinario de Asuntos Exteriores de la UE. Para tratar la cuestión del conflicto en Ucrania. Nada menos.

7. En el terreno educativo fue anunciada una profunda reforma por el Ministro de Cultura, Educación y Asuntos Religiosos, Aristidis Baltas.

8. El responsable de Sanidad y Seguridad Social, Panayiotis Kurumplis, aclaró que el sistema público de salud volvería a ser gratuito y universal (no lo es en estos momentos en España)

9. Tsipras, el primer ministro, lo dijo con toda claridad: “Llegamos para cambiar radicalmente el modo en el que las políticas y la administración se hacen en este país. Nuestra prioridad es también una nueva negociación con nuestros socios, buscando alcanzar una solución justa, viable y mutuamente beneficiosa para que el país salga del círculo vicioso de deuda excesiva y recesión”.

¿Es la revolución socialista? No. ¿Es un programa que permita alcanzar el socialismo en seis meses y doscientas noches? Tampoco. ¿En tres años? Por supuesto. Pero, ¿abona finalidades opuestas, los objetivos de siempre, la subordinación al capital y a sus agentes? No lo parece, más bien lo contrario.

La respuesta de la derecha (incluyendo a amplios sectores de la falsamente llamada socialdemocracia) y de los mercados era de prever. La Bolsa ruge. Se anuncian tiempos de penuria y desorden. Los grandes poderes alemanes amenazan como si fueran desalmados huracanes de acero. Los medios de intoxicación dicen lo que era previsible: “Los griegos sacan su dinero de los bancos por temor al ‘corralito”. El ejemplo es del global-imperial del jueves.

Lo esperado. Importa comentar algunas críticas vertidas desde otras perspectivas. Hasta ahora: las alianzas de Syriza y la no presencia de mujeres en el gobierno.

Dada la imposibilidad de llegar a acuerdos con el KKE, sobre cuya política no se emite aquí juicio alguno, y dado que Syriza no alcanzó la mayoría absoluta, no había otra que pactar… y se ha pactado no con la extrema derecha sino con fuerza de la derecha griega con la que se coincide en un punto esencial: la oposición a los dictados de la troika y la firme convicción y resolución de que Grecia no está dispuesta a seguir siendo una colonia de la UE. De eso nada. El historiador José Luis Martín Ramos lo ha comentado así: “[…] no tengo claro que [Griegos Independientes] sean extrema derecha, y menos en el contexto griego. Son seguidores de Karamanlis, que no era extrema derecha. Extrema derecha es Alba Dorada. Pero los medios de comunicación aquí los presentan interesadamente como extrema derecha para reforzar la imagen de que Syriza empieza traicionando sus ideales con un pacto contra natura”.

La segunda crítica: la no presencia de mujeres en el gabinete. Esta tiene más fundamento por supuesto y es obvio que un futuro próximo debe ser corregida, será rectificada la composición del gobierno. Pero hay recordar que de las 300 escaños del Parlamento sólo 68 son mujeres (en torno al 22%) y que de ese colectivo, 44 son diputadas por Syriza (en torno al 67% del total anterior). Por lo demás, la presidenta del Parlamento griego, la tercera autoridad del país tras el presidente de la República y el primer ministro, lo ocupa también una diputada.

Hay algo más que no pretende ocultar ni disolver ninguna crítica razonable. Yanis Varoufakis llegó a su ministerio para el traspaso de poderes el pasado lunes y aseguró, que había que hacer limpieza [1]. ¿Qué limpieza? La siguiente: despidió a todos los asesores de libre designación que pululaban “por el edificio cual monaguillos neoliberales” y volvió a contratar a las 300 mujeres de la limpieza despedidas desde hace más de un año y no readmitidas “por el anterior gobierno pese a tener sentencias judiciales en su contra”. Estas mujeres, me informa también Antonio Cuesta, acamparon “durante meses frente al ministerio, llegaron a Bruselas para exponer su caso, ganaron en los tribunales, se manifestaron a diario durante un año, recibieron el apoyo de todo el mundo en una jornada internacional de solidaridad…”. Desde luego: ni una sola línea en todos esos medios, salvando benditas excepciones, que gastan páginas y páginas en criticar que Tsipras sea cual sea el motivo. ¡Todo vale! ¡A por ellos… que no son los nuestros!

¿Populismo? De populismo nada. Justicia, simple justicia, mirada humanista hacia los más desfavorecidos. ¿Anula la actitud de Varoufakis la no presencia de mujeres en el gobierno? No, nada de eso, no hablamos de puestos claves de la Administración, pero no se puede hablar, sin matices, del machismo de Syriza ni de sandeces semejantes en este caso.

Y hay algo más. Lo explicaba Irene Hernández Velasco, en El Mundo [2], nada sospecho de amistades peligrosas.

Yanis Varoufakis revelaba el pasado martes en su blog que cuando se incorpore a su cargo pensará “en el impacto profundo que le provocaron las palabras que le dijo el intérprete que acompañaba a una periodista española que le entrevistó hace unos días”. Esa periodista era, precisamente, Hernández Velasco. La persona que le acompañaba, Lambros Moustakis, un ‘sin techo’ de 53 años. “Lambros trabajaba en la recepción de un hotel, pero comenzó la crisis y hace tres años se quedó sin empleo. Buscó y buscó, pero no encontró nada. Consumió el subsidio de desempleo, no podía paga el alquiler de su casa… Acabó en la calle. Durante un mes estuvo durmiendo a la intemperie, acurrucado sobre unos cartones, hasta que el Ayuntamiento de Atenas le dio una plaza en uno de sus albergues para pobres”.

Lambros fue uno de los ‘indignados’ que ocupaban la Plaza de Syntagma, en el centro de Atenas, en protesta por las medidas de austeridad. Habla perfectamente castellano además de portugués, italiano, inglés y griego. La corresponsal de El Mundo pensó que un tipo así le ayudaría a adentrarme en el infierno que empezaba a gestarse en Grecia “y que, además, podría hacerme de escudo si había cargas policiales. Hizo ambas cosas”. Acabaron siendo amigos.

Pues bien, cuando hace unos días Hernández Velasco fue a entrevistar a Varoufakis (la entrevista es excelente, corre por la red, no se la pierdan), le preguntó si podía acompañarla. No le necesitaba como intérprete “pero Lambros es un tipo bien informado y estaba interesado en ver de cerca al que podía ser el responsable de las finanzas griegas”.

Durante toda la entrevista su amigo no dijo ni una palabra, “pero escuchó con atención e interés, recordaba el martes en su blog Varoufakis”. Al final, cuando la periodista apagó la grabadora, le preguntó si podía dirigirse en griego a él. Por supuesto le respondió. “Lambros comenzó a contarle a Varoufakis su historia. “Se me acercó, agarró mis dos manos”, rememoraba el martes Varoufakis. Y, sensible como es, según le contaba al futuro ministro de Economía su particular bajada al averno, se le saltaron las lágrimas. A Varoufakis también se le humedecieron los ojos y otro tanto a esta periodista”.

Lambros cerró su conversación con Varoufakis con estas palabras: ‘No le estoy pidiendo que haga algo por mí, yo ya estoy acabado. Le pido que haga lo que pueda por aquellos que aún no han caído aquí abajo”. Eso es lo que escribía el ahora ministro en su blog, la promesa del autor de El minotauro global: “Cuando entre en el ministerio de Economía, voy a pensar en esas palabras. Ni en los spreads, ni en las Finanzas, ni en los acuerdo previos. Pensaré en esas palabras” [2].

¿A que no es lo mismo?, ¿a que es otra cosa?, ¿a que no es un De Guindos, un Andreu Mas-Colell o un Pedro Solbes por ejemplo? A que anuncian, a que anunciamos algo nuevo.

Notas:

[1] Mi información tiene un nombre, la del imprescindible periodista Antonio Cuesta.

[2] http://www.elmundo.es/internacional/2015/01/28/54c7ec0be2704e8e478b457f.html

[3] “Parece un buen tipo”, comentó Lambros al salir de la entrevista. “Yo creo que si llega a ministro puede hacer grandes cosas”.

Matarse por amor, pero a Juan Ramón Jiménez

La notable y bellísima escultora Marga Gil Roësset se quitó la vida a los 24 años por amor al Nobel de literatura, ya casado con Zenobia Camprubí

 

Marga Gil

Marga Gil

La brillante escultora madrileña Marga Gil Roësset tenía 24 años cuando, el 30 de julio de 1932, se pegó un tiro que acabó con su vida. “Qué hermoso es el amanecer del último día”, escribió en su diario. Unas horas antes, dejaba ese mismo diario en casa del poeta Juan Ramón Jiménez, que escribió:

Habíamos llegado a las Rozas a las 9 y 1/2, después de buscarla en vano por Madrid. Estaba en la mesa de operaciones de la Clínica de Urjencia Omnia. Un tiro en la cabeza, con la belleza no destrozada, descompuesta. Su mano estaba caliente, latía su pulso. Sangre a borbotones por la boca, la frente vendada de gasa. Una mirada ancha dilatada, salida, pero ¿sin ver?

” Está enterrada en la Rozas – continúa. Un corralillo cuadrado con algunos cipreses. Fue llevada en hombros en su caja blanca llena de rosas”. Después de leer su diario y, encontrándolo muy bello, el poeta decidió editarlo. “Tu sufrimiento, muerta tú, se ha quedado espandido sobre mí, como el rojo del sol, después de puesto, por la tarde.” Hoy lo publica por primera vez la Fundación José Manuel Lara con el título de Marga, en la edición que dejó el Nobel. Debió de ser difícil: en sus páginas, Marga Gil Roesset refleja la tristeza, la desesperación que sentía por su amor no correspondido por el poeta, que entonces tenía 51 años.

“Ya no quiero vivir sin ti”; “Mi amor es infinito… La muerte es… infinita”. Son algunas de las frases que escribió Marga en un documento del que se ignoró su existencia hasta 1997. “Es tan bello lo que escribió y fue tan valiente… que me parece un crimen (matarlo del todo), una falta de humanidad, no dejar en la vida su ‘fantasía'”, anotó Juan Ramón sobre el proyecto de edición del diario, unos textos que quiso incorporar a su propia obra para que vivieran “eternamente”.

Juan Ramón Jiménez con su esposa, Zenobia Camprubí

Juan Ramón Jiménez con su esposa, Zenobia Camprubí

Suicidio de una señorita

Marga, que se abre con una semblanza biográfica de Marga Clark, escritora y sobrina de la autora, incluye un breve álbum fotográfico, textos y apuntes de Juan Ramón Jiménez y de su esposa, Zenobia Camprubí, poemas, ilustraciones y recortes de prensa de la época alusivas a la actividad artística de Marga y a su última decisión, como los titulares d el periódico La Libertad:

SUICIDIO DE UNA SEÑORITA

Se encierra, se dispara un tiro en la cabeza y muere instantáneamente. Se ignoran las causas de su fatal resolución.

Una señorita elegantemente vestida alquiló un taxi y ordenó al chófer que le condujese a Las Rozas. Al llegar a este pueblo dijo al chófer del vehículo que esperase y después de pedir la llave de un hotel propiedad de unos tíos suyos, entró en dicho hotelito. Pasaron unos instantes y se oyó una detonación Al ruido acudió la familia de la joven y los vecinos, que vieron el cuerpo de la joven en el suelo exánime. Se dio cuenta del hecho a la Guardia Civil y al juez de instrucción , y éste ordenó el traslado del cadáver al Depósito para que se le practique la autopsia. También se incautó el juez de una carta escrita por la señorita Margarita Gil Roësset y dirigida a su madre en la cual tal vez explique los motivos que la indujeron a quitarse la vida.El juez ha dispuesto que comparezca a su presencia la madre de la suicida para hacerla la entrega de la carta a ella dirigida y tratar de averiguar la causa de su fatal resolución.

Marga Clark, que dedicó a la figura de su tía la novela Amarga luz y el poemario El olor de tu nombre, asegura en la introducción a esta edición haberse tomado como una misión en su vida reivindicar y homenajear la memoria de su tía, “puesto que se la mantuvo encerrada en la sombría tumba del olvido 65 años”.

Marga trabajando en su obra "Para toda la vida" en 1930

Marga trabajando en su obra “Para toda la vida” en 1930

Un monográfico póstumo

La resurrección es importante, no sólo por lo biográfico sino, sobre todo, por lo artístico. Antes de morir, Marga destruyó la mayor parte de su trabajo, incluyendo las fotografías de sus esculturas, consideradas excepcionales por la vanguardia del momento. Hace quince años, el Círculo de Bellas Artes de Madrid reunió en exposición la obra de Gil Roësset que ha sobrevivido: 16 esculturas y 80 dibujos y acuarelas.

Una de las tres cartas que Marga dejó antes de acabar con su vida iba dirigida a Zenobia Camprubí, de la que moldeó un busto que se salvó de la destrucción, confesándole su amor hacia su marido y pidiéndole perdón -decía en su carta- “por lo que si él quisiera yo habría hecho”. La propia Zenobia escribió cuatro relatos sobre Marga, uno de los cuales decía: “Marga, quiero contar tu historia porque tarde o temprano la contarán quienes no te conocieron o no te entendieron”.

Escultura de Zenobia, por Marga Gil

Escultura de Zenobia, por Marga Gil

Carmen Hernández-Pinzón, sobrina nieta de Juan Ramón Jiménez y representante de sus herederos, afirma en el prólogo de esta edición que Marga pasó por la vida de Juan Ramón y Zenobia “como una estrella fugaz, dejando una impronta indeleble y un pozo de amargura difícil de subsanar”.

“El amor imaginario de la joven fue más fuerte y más profundo que si sus sentimientos hubieran sido correspondidos, y le dio alas a su corazón hasta llegar a límites insospechados”, reseña. Marga será presentado en Madrid el próximo martes, en un acto en el que intervendrán Marga Clark y Carmen Hernández-Pinzón.

“Si pensaste al morir que ibas a ser bien recordada -escribió Juan Ramón- no te equivocaste, Marga. Acaso te recordaremos pocos, pero nuestro recuerdo te será fiel y firme. No te olvidaremos, no te olvidaré nunca. Que hayas encontrado bajo la tierra el descanso y el sueño, el gusto que no encontraste sobre la tierra. Descansa en paz, en la paz que no supimos darte, Marga bien querida.”

Desenho de Marga Gil

Desenho de Marga Gil

MORRER DE AMOR Já não consigo viver sem ti, Juan

O comovente diário da escultora Marga Gil, que se apaixonou em segredo pelo poeta ganhador do Nobel, é editado 83 anos depois do suicídio dela

 

A escultora e pintora espanhola Marga Gil Roësset, em 1932. / EL PAÍS

A escultora e pintora espanhola Marga Gil Roësset, em 1932. / EL PAÍS

 

por Winston Manrique Sabogal

 

“Não o leia agora.” Foram as últimas palavras que Marga Gil Roësset disse a Juan Ramón Jiménez, na casa desse premiado poeta espanhol, na rua Padilla, em Madri, enquanto deixava uma pasta amarela sobre a mesa de trabalho dele. Continha a revelação do seu amor impossível por ele, que a havia levado a uma decisão fatal. Marga saiu do escritório de Juan Ramón, dirigiu-se ao ateliê onde havia trabalhado nos últimos meses e destruiu todas as suas esculturas, exceto um busto de Zenobia Camprubí, a esposa do seu amado. “Não o leia agora…” Saiu de lá para cumprir o destino que havia previsto. Passou primeiro pelo parque do Retiro; depois apanhou um táxi até a casa de seus tios em Las Rozas, e lá disparou um tiro na têmpora.

Era quinta-feira, 28 de julho de 1932. Ela tinha 24 anos; ele, 51. Oito meses antes, havia conhecido o poeta e a mulher dele, com quem estabeleceu uma sincera e afetuosa amizade. Mas dentro da jovem pintora e escultora, a quem Juan Ramón e Zenobia chamavam de “menina”, também cresceu em silêncio uma paixão amorosa não correspondida. Ameaçadora. Até que esse amor colonizou toda a sua vida e se transformou em tragédia.

“…É que…

Já não consigo mais viver sem você

…Não… Já não consigo mais viver sem você…

…Você, como consegue mesmo viver sem mim

…Deve viver sem mim…”

Esse desejo ela eternizou com sua letra angulosa, em uma das folhas guardadas na pasta que entregou a Juan Ramón Jiménez (1881-1958). Escreveu-as nas últimas semanas daquele verão espanhol. O autor respeitou o pedido. “Não o leia agora.” Um pouco de sombra cobriu seu coração para sempre. Um pouco de luz saiu dali para sua obra poética. Poucos meses depois do fato, ele quis homenageá-la publicando o manuscrito do diário de Gil, mas não conseguiu. Em 1936, ele se exilou de forma mais ou menos repentina, por causa da Guerra Civil. Agora, 83 anos depois do suicídio de Marga Gil e da vontade de Juan Ramón Jiménez (JRJ), esse desejo do poeta se torna realidade. Chama-se Marga. Edición de Juan Ramón Jiménez, e foi lançado pela Fundação José Manuel Lara. Inclui um prólogo de Carmen Hernández-Pinzón, representante dos herdeiros de JRJ, um texto de Marga Clarck, sobrinha da artista, e escritos do poeta e da sua mulher sobre Marga Gil. Um relicário literário acompanhado por fac-símiles das anotações da escultora e vários de seus desenhos e fotos.

Página do diário de Marga Gil Roësset. / EL PAÍS

Página do diário de Marga Gil Roësset. / EL PAÍS

Amor, silêncio, alegria, desespero, amor. O desconcerto transparece no bilhete que a jovem deixou para Zenobia Camprubí: “Zenobita… você vai me perdoar… Eu me apaixonei por Juan Ramón! Embora gostar… e se apaixonar seja algo que acontece porque sim, sem que você tenha culpa… para mim pelo menos, pois assim aconteceu comigo… senti isso quando já era… natural… que se você se dedicasse a andar unicamente com pessoas que não a atraem… você eliminaria todo o perigo… mas isso é estúpido”.

Essa confissão figurava nesse diário extraviado por muitíssimos anos – desde 1939, quando três assaltantes roubaram a casa de JRJ, que estava no exílio. O poeta, que ganharia o Nobel de Literatura em 1956, inquietava-se com o destino desses documentos. Sempre perguntava por eles a seu grande amigo Juan Guerrero. Quem conta isso é Carmen Hernández-Pinzón, filha de Francisco, sobrinho do escritor e representante de seus herdeiros. Parte dos manuscritos havia sido divulgada em 1997 pelo jornal ABC. O suicídio do Gil afetou muito JRJ e sua mulher. “Os dois ficaram muito abatidos, e ele não quis escrever durante um tempo. Nunca a esqueceram”, diz Carmen.

Esse “Não o leia agora” é um aceno ao amor que revitaliza a vida e, por sua vez, esteriliza quem não é correspondido, enquanto vive de migalhas secretas que são o triunfo da sua existência:

“…E você não me vê… nem sabe que eu vou… mas eu vou… minha mão… na minha outra mão… e tão contente…

…Porque vou ao seu lado.”

Agora todos sabem. E ela foi mais que esse feliz e fatal sussurro amoroso. “Quero que seja conhecida como a genial artista que foi e continua sendo. Muitas estudiosas e especialistas nas vanguardas do século XX dedicaram seu tempo a pesquisar sua obra”, conta Marga Clarck. Ela considera importante a publicação do diário, agora que a figura da sua tia começa a ser reconhecida. Acredita que servirá “para que ela possa navegar sozinha, pois sua obra é muito potente. E Juan Ramón queria que ela passasse à história como artista”.

O poeta sabia. Esse amor desconhecido era parte feliz da sua vida, mesmo sem que ele pedisse. Era dele, também. Um canto da sua casa imortalizou esse amor. Depois da morte de Marga, mandou fazer um aparador de carvalho sobre o qual instalou o busto da Zenobia esculpido pela “menina”. O rosto do amor de sua vida, cinzelado pela mulher que não suportou viver sem ele.

¿Tiene cura Alemania? ¡Europeos, ayudémosla!

No, Alemania no puede enseñar civilidad o democracia a nadie. No es comprensiva ni con sus propios hijos, así que cómo va a ser una conductora o una buena educadora

hitler alemanha Merkel

por Suso de Toro

 

Quienes deseamos estabilidad en nuestras vidas y si no prosperidad al menos conformidad vivimos dando por seguras cosas que pueden serlo o no. Somos europeístas y deseamos una Europa en el mundo que represente las libertades personales y cierta comprensión social, todo bien, ¿pero y si ese propósito tan razonable es un imposible? ¿Y si estamos presos de nuestra fe europeísta?

Europa es un gigante cultural y económico, con el parlamento más democrático donde están representadas la mayor diversidad de posturas, una democracia que los intereses norteamericanos quieren retratar como “la vieja Europa”, sin embargo es un adolescente que no acaba de madurar. La crisis actual lo demuestra. Está atrapada entre los estados que la fundaron y un futuro posible como gran potencia, su historia y su fuerza viene de los estados pero los problemas que le causan daños internos también.

Para actuar como una potencia autónoma en el mundo, no estar supeditada a EEUU, tendría que tener un liderazgo y ese liderazgo tiene que nacer de uno o dos de los estados existentes. Es evidente que tendría que ser de Alemania, pero también es evidente que Alemania es totalmente incapaz de liderar a los europeos y se comporta como una potencia egoísta que practica el abuso de poder como una forma natural de la política. No sólo es incapaz como líder sino que actúa como un peligro interno pues solo practica políticas de humillación y expolio. ¿Tiene solución Alemania o debemos darla por imposible? No sé si alguien lo sabe, yo no.

Un recorrido por la tierra alemana o por su historia demuestra que no solo es imposible una Europa sin Alemania sino que es el centro inevitable de cualquier idea europea. Y ya no hablo de su poderío y creatividad económica, científica, tecnológica y cultural. Su propia lengua resurge entre los europeos, mal que bien todos iremos aprendiendo algo de alemán como lo hacían las generaciones ilustradas hace cien años. Sin embargo Alemania es un peligro, un gigantón con cabeza de niño caprichoso y salvaje que una vez y otra bate contra la pared y no aprende. No, no es cierta la confianza en que descansa el sueño europeo, Alemania no aprende. Y claro que lo que vivimos es que se está comportando como siempre, ella contra los países que la rodean. No pretende liderar Europa, pretende dominar su “espacio vital”, su “lebensraum”.

Es un estado europeo muy peculiar, no tuvo las experiencias propias de las potencias coloniales, como Inglaterra, España o Francia, ni tampoco la vida cívica de las sociedades burguesas. Unificado el territorio por los “junkers” de Prusia, aquella que idealizaba infantilmente Ortega, que crearon una cultura de estado burocrática y militarista, incluso periodos con democracia parlamentaria estuvieron marcados por la tutela carismática de militares nacionalistas como Hindenburg y Lundendorff, el único periodo donde se pudo desarrollar vida civil fue en la república de Weimar, una época asimismo marcada por los conflictos sociales y la crisis de 1929. La época nazi no solo educó a la población en el salvajismo inhumano también eliminó físicamente a los elementos críticos y civilizadores. Tras la guerra la reconstrucción de la economía y la sociedad fue conducida por los mismos poderes que habían provocado el desastre, con la tutela de los EE.UU. Y cuando cae el muro de Berlín y la RDA es engullida se integró una población que no había tenido tampoco experiencias democráticas. Puede que no sea casualidad que Angela Merkel sea una criatura producto de esa sociedad tan rígida e implacable.

No olvido a Goethe, a los escritores nos gusta más Hölderlin pero el cortesano de Weimar en “Poesía y verdad” demuestra que es cabalmente el primer europeo, encarna una Europa tolerante. Sin embargo la historia nos recuerda el fracaso del espíritu ilustrado en Alemania: al mismo roble debajo del que se sentaba Goethe a escribir poemas le construyeron alrededor un campo de exterminio, acabó delante de las cocinas de Buchenwald.

No, Alemania no puede enseñar civilidad o democracia a nadie. No es comprensiva ni con sus propios hijos, así que cómo va a ser una conductora o una buena educadora. “La muerte es un maestro venido de Alemania“, ese frágil verso de Paul Celan es lapidario.

Entonces, ¿qué va a ser de Europa? ¿O qué podemos hacer? Lo único que podemos hacer los pobrecitos europeos de los países que sirven a su ama es decirle lo que es, tan fuerte, admirable y también tan detestable. Lo único que podemos hacer por Alemania es criticarla, mostrarle un espejo hecho por nosotros, por los demás europeos y que se vea como la vemos. (El Diario. Es)

 

 

El Gobierno de Tsipras anuncia que paralizará la privatización de eléctricas, puertos y aeropuertos

Tal y como se había anunciado, el Gobierno de Syriza tiene previsto elevar el salario mínimo a 751 euros brutos mensuales, el nivel anterior a las medidas de austeridad

El viceministro griego anuncia también que el Gobierno revocará los despidos inconstitucionales

El Gobierno de Tsipras anuncia que detendrá una serie de privatizaciones

El Gobierno de Tsipras anuncia que detendrá una serie de privatizaciones

El nuevo Gobierno griego paralizará “inmediatamente” todo proceso de privatización de las eléctricas. Así lo anunciado este miércoles el ministro de Reconstrucción Productiva, Medio Ambiente y Energía del ejecutivo de Syriza, Panayiotis Lafazanis, minutos antes de entrar en el primer Consejo de Ministros.

“Vamos a tratar de hacer la corriente más barata para impulsar la competitividad y ayudar a las familias”, ha indicado Lafazanis.

Precisamente, uno de los puntos cardinales del programa de Gobierno de Tsipras consiste en medidas de urgencia para mejorar la situación de los más pobres, entre las que figura ofrecer electricidad gratuita a 300.000 hogares.

Por su parte, el viceministro de Economía e Infraestructuras, Jrístis Spirtzis, señaló en una declaración a los medios que uno de los objetivos centrales del Gobierno es detener las privatizaciones que vayan en contra de objetivos sociales. Con ello aludió a las privatizaciones de puertos y aeropuertos, otro de los puntos del programa de Syriza.

Restablecer el salario mínimo, una de las primeras medidas

Por su parte, el nuevo ministro de Trabajo griego, Panos Skurletis, ha confirmado que, tal y como se había anunciado, una de las primera medidas del Gobierno será “restablecer el salario mínimo interprofesional y la decimotercera paga de las pensiones más bajas”.

Skurletis recordó que todo “forma parte de nuestro programa y se trata de nuestras prioridades”. En el denominado Programa de Salónica está previsto restaurar el salario mínimo en 751 euros brutos, frente a los 586 que regían en la actualidad.

También se revocarán los despidos inconstitucionales de empleados públicos

El viceministro griego de Reforma Administrativa, Yorgos Katrúgalos, ha adelantado por su parte la primera medida del nuevo Gobierno en materia de empleo público: revocar todos los despidos inconstitucionales de funcionarios que se han llevado a cabo en los últimos años.

“Es nuestro compromiso y es uno de los primeros pasos a seguir. Retirar todos los despidos que se han hecho y son inconstitucionales”, ha asegurado el viceministro en declaraciones a la cadena de televisión Ant1.

Eso implicará que se corregirán las “injusticias” de los despidos inconstitucionales, como los de las limpiadoras del ministerio de Finanzas y los guardias escolares, según Katrúgalos, “las personas más débiles, que centraron la atención de la supuesta reforma del Gobierno anterior”.

Ambos colectivos de trabajadores llevan meses protestando en un campamento improvisado a las puertas del ministerio de Finanzas.

Esta medida se aplicará también a los empleados de la antigua radiotelevisión pública ERT, aunque el viceministro recalcó que este asunto no forma parte de sus competencias.

Katrúgalos aclaró que esta restitución de la cadena y la radio públicas no significará un “retorno a la ERT de antes del cierre” o al “control por parte del Gobierno” que se ejercía en dicho periodo.

“Queremos una ERT que se asemeje a la ERT que siguió al ‘negro’ (cierre)”, cuando, dijo, la gestión del ente público la asumieron los trabajadores y así se abrió a la sociedad. (El Diario. Es)

Tsipras anuncia el fin de la “política de sometimiento”

Agencias/Rebelión

El nuevo Gobierno paraliza privatizaciones y anuncia que parte de los funcionarios despedidos volverán a sus puestos

“Llegamos para cambiar radicalmente el modo en el que las políticas y la administración se hacen en este país”

Eneko

 

El primer ministro griego, Alexis Tsipras, defendió ante sus ministros este miércoles que los votantes le han autorizado para emprender un cambio “radical” que restaure la soberanía nacional, pero se ha comprometido a negociar con responsabilidad con los acreedores internacionales.

Tsipras, cuyo partido Syriza se quedó el domingo a dos escaños de la mayoría absoluta, dijo que evitará los antagonismos con los acreedores de la Unión Europea y el Fondo Monetario Internacional (FMI). “No entraremos en un enfrentamiento mutuamente destructivo pero no continuaremos con una política de sometimiento”, aseveró al inicio del primer consejo de ministros del gobierno recientemente creado. El primer ministro añadió que espera tener una reunión “productiva” el viernes con el jefe del eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Tsipras señaló que el Gobierno perseguirá presupuestos equilibrados, pero no tratará de lograr “superávit irreales” para cumplir con la masiva deuda pública griega de más de un 175 por ciento del Producto Interior Bruto.

Las prioridades serán ayudar a los sectores más débiles de la sociedad, con políticas para atacar el clientelismo endémico y la corrupción en la economía, además de atajar el desempleo.

Primeras medidas
Antes incluso del primer consejo de ministros, los integrantes del Gobierno tranquilizaron a los votantes asegurando que cumplirán con las promesas de campaña. Así, la prevista venta del 30 por ciento de las acciones de la Corporación Pública de Energía de Grecia (PPC), la mayor del país, ha sido paralizada con el fin de garantizar el acceso a la energía de las familias sin ingresos. También se frenarán las privatizaciones de puertos y aeropuertos, que según el nuevo Ejecutivo perjudican los objetivos sociales.

Los miembros del nuevo Gobierno prometieron también subir las pensiones para aquellos con bajos ingresos y devolver sus puestos a algunos de los funcionarios que fueron despedidos. También sigue en pie la promesa de subir el salario mínimo hasta los 751 euros brutos mensuales, la cifra en la que se encontraba antes de los recortes.

Tanto el Ministro de Finanzas, Yanis Varoufakis, como el de Economía, Yorgos Stathakis coincidieron al asegurar que las políticas de austeridad no benefician en nada a la economía y las cuentas del país, por lo que pidieron “pasar la página de la austeridad”, pues “es obvio que el país no puede beneficiarse si seguimos con esas políticas”.

Más contundente se mostró el ministro de Reconstrucción Productiva, Medio Ambiente y Energía, Panayiotis Lafazanis, quien aseguró que se cancelarán de forma progresiva todas las leyes aprobadas por el dictado de la troika de acreedores. “Con nuestro Gobierno terminan dos cosas para siempre: termina la troika y progresivamente se cancelarán todas las leyes impuestas por la troika”, aseguró. Además anunció la paralización del proceso de privatización de la compañía pública de electricidad (DEI) que pasará a ser “una empresa de interés público que funcionará con criterios no lucrativos”. Igualmente señaló que “vamos a tratar de hacer la corriente más barata para impulsar la competitividad y ayudar a las familias”, dentro del plan que prevé dar electricidad gratis a 300 mil familias que se hallan bajo el umbral de la pobreza.

Desde el Ministerio de Interior, Nikos Vutsis, anunció que se concederá la ciudadanía a los niños extranjeros nacidos o criados en Grecia, los inmigrantes de segunda generación, al tiempo que decretó el cierre de las cárceles de máxima seguridad (tipo C) por vulnerar los derechos humanos.

En política exterior su titular, Nikos Kotzias, comenzó su andadura con un disenso con la Unión Europea, al aprobar esta una declaración contra Rusia sin informar ni acordar la posición con el gobierno griego. Por tal motivo Kotzias asistirá el jueves en Bruselas al Consejo extraordinario de Asuntos Exteriores de la UE, para tratar la cuestión del conflicto en Ucrania.

En el terreno educativo fue anunciada una profunda reforma por el Ministro de Cultura, Educación y Asuntos Religiosos, Aristidis Baltas, mientras que el responsable de Sanidad y Seguridad Social, Panayiotis Kurumplis, aclaró que el sistema público de salud volverá a ser gratuito y universal.

“Llegamos para cambiar radicalmente el modo en el que las políticas y la administración se hacen en este país”, afirmó Tsipras durante su primer consejo de ministros. “Nuestra prioridad es también una nueva negociación con nuestros socios, buscando alcanzar una solución justa, viable y mutuamente beneficiosa para que el país salga del círculo vicioso de deuda excesiva y recesión”, añadió.

Por que está todo mundo falando do ministro da economia grego

abc. Grécia assusta

 

Certamente que ninguém vai falar de Joaquim Levy, novo ministro da Economia de Dilma.

Qual a diferença entre Levy e Delfim Neto, ministro da ditadura de 64; e Arminio Fraga do BC de FHC, que seria ministro de Aécio Neves; e André Lara Resende do BNDES de FHC,  que estava cotado para ser ministro de Marina?

Levy também é cria do governo de FHC.

No ano de 2000, foi nomeado secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda e, em 2001, economista-chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Em janeiro de 2003, foi designado secretário do Tesouro Nacional, onde ficou até 2006.

No ano seguinte, foi secretário de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro no primeiro mandato de Sérgio Cabral Filho, onde ficou até 2010. De junho deste mesmo ano a 2014 trabalhou na divisão de gestão de ativos do Banco Bradesco (Bradesco Asset Management), ocupando o cargo de diretor-superintendente quando foi nomeado ministro da Fazenda.

No Bradesco, sabia Levy do laranjal escravocrata da Contax?

Levy só não é um Yanis Varoufakis, novo ministro da Economia da Grécia

A carga da dívida grega “está sobre os ombros mais frágeis, os do contribuinte grego”

Yanis Varoufakis

Yanis Varoufakis

por Jaime Rubio Hancock

O Governo do novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, chamou a atenção sobretudo por duas coisas: primeiro, porque os dez ministros são homens: segundo, porque um deles é Yanis Varoufakis. Esse doutor em Economia pela Universidade de Essex nasceu em 1961 e deu aulas nas universidades de Atenas e do Texas. Embora seu perfil seja mais acadêmico do que político, já foi assessor do governo do social-democrata George Papandreau. Seu livro mais recente, O Minotauro Global, afirma que os Estados Unidos e a União Europeia não poderão voltar ao crescimento que viveram em outras épocas, e que é preciso introduzir mais racionalidade na desordem econômica mundial.

“Suas análises nunca deixam os leitores indiferentes. A partir de hoje adquirem um novo significado ao passar da academia para a política”, escrevia na terça-feira no EL PAÍS Joaquín Estefanía em seu perfil. Na espera de ver suas primeiras medidas, e enquanto a bolsa grega despenca, o que está claro no momento é que Varoufakis interessa. Na última semana foram publicados 13.000 tuítes sobre ele. Mas, por que?

1. Porque tem um blog. E o vai manter, como garante no título de sua última atualização, em 27 de janeiro: “Finance Ministry slows blogging down but ends it not” (“o ministro da Economia escreverá menos no blog, mas não deixará de fazê-lo”). Ele assegura que compensará a menor frequência e a menor extensão de suas atualizações com “pontos de vista, comentários e ideias mais substanciais”. Também está presente no Twitter, com uma conta própria (pelo menos, por ora) que tem 139.000 seguidores. Em sua biografia se define como “professor de economia que escreveu obscuros textos acadêmicos durante anos, até ser empurrado para a cena pública por causa da gestão inadequada por parte da Europa de uma crise inevitável”.

2. Porque cita Jonathan Swift. Sua “Uma Modesta Proposição para Resolver a Crise da Zona do Euro”, escrita com Stuart Holland e James K. Galbraith, homenageia em seu título o texto satírico de Swift, escrito também para oferecer a solução a uma crise econômica, a dos irlandeses do século XVIII. Enquanto Swift sugeria às famílias que comessem seus bebês, Varoufakis opta por ideias mais realistas, que passam, entre outras ações, por um programa de investimentos públicos em nível europeu para estimular o crescimento. O texto conclui afirmando que a proposta é modesta porque sua implementação não requer novas instituições, leis ou acordos. Somente cooperação, que considera muito melhor “que a imposição da austeridade”.
3. Porque trabalhou em uma das empresas mais inovadoras do mundo. Uma noite ele recebeu um e-mail de um leitor de seu blogue, que começava dizendo: “Sou o presidente de uma empresa de videogames”.

Varoufakis resistiu à tentação de apagar o que parecia “outra ‘proposta de negócios’ de um maluco” e continuou lendo o que era uma oferta para avaliar as necessidades e os desafios organizacionais de uma das empresas mais inovadoras no que se refere ao seu modo de trabalhar. Ele se reuniu com o fundador da Valve, Gabe Newell, e, apesar de nem estar a par dos videogames, nem ter jogado nenhum desde os Space Invaders em 1981, aceitou a oferta para ser “economista residente”.

O atual ministro pôde avaliar a plataforma de distribuição digital de videogames Steam e o sistema organizacional da empresa, na qual não há chefes e os empregados escolhem os projetos nos quais querem trabalhar. Segundo escreveu Varoufakis em um texto no qual citava aos totens liberais Friedrich Hayek e Adam Smith, a empresa aspira a se transformar em um “vestígio da organização poscapitalista… dentro do capitalismo”.

4. Porque não quer sair do euro. Varoufakis não está apaixonado pela moeda única, mas quer que os gregos continuem usando-a; “A Grécia não quer abandonar o euro nem ameaçar fazê-lo”, explicava em uma entrevista concedida à Open Democracy. “Não deveríamos ter entrado no euro, isso está muito claro, mas, uma vez dentro, seria desastroso sair voluntariamente.” Isso não quer dizer que não vá manter ideias que deem prioridade às necessidades dos gregos em relação à dívida que o país acumula. Entre outras propostas, Varoufakis quer que o pagamento dessa dívida fique condicionado ao crescimento econômico. E o governo grego também elevará o salário mínimo. Nesse sentido, o jornal britânico The Telegraph já suspirou com alívio, dando como título que Varoufakis “não é um extremista”. No artigo lemos como o ministro explica que a carga da dívida grega “está sobre os ombros mais frágeis, os do contribuinte grego”, e que as supostas ajudas da União Europeia não foram mais do que uma “waterboarding” fiscal que transformou essa nação em uma “colônia de dívida”.

5. Porque ele gosta de arte. Muito. Tanto que viajou com a artista Danae Stratou às sete linhas divisórias mais famosas do mundo: Chipre, Kosovo, Belfast, Palestina, Etiópia-Eritreia, Caxemira e a fronteira entre os Estados Unidos e o México. Dessa viagem saíram os textos do ministro em The Globalising Wall, e as exposições Cut – 7 dividing lines e The Globalising Wall da artista grega.

Ambos levaram adiante o projeto Vital Space, uma plataforma aberta para “oferecer um olhar novo sobre as duas crises de nossa era (econômica e ambiental)”, com o objetivo de que “a arte ajude a criar uma conscientização nova e não polarizada sobre os maiores desafios da humanidade na atualidade”.

6. Porque já escreveu sua carta de renúncia. Em seu blog ele explicou, em 9 de janeiro, que “nunca havia tido a intenção de entrar no jogo eleitoral”, mas se apresentava às eleições com o Syriza porque as propostas para sair da crise, de sua Modesta Proposição, “não têm nenhuma oportunidade de ser aplicadas se não forem postas sobre a mesa do Eurogrupo, do Ecofin e nas cúpulas da UE”.

Mas também acrescentava: “Meu maior medo, agora que aceitei o desafio, é que eu possa converter-me em um político. Como antídoto a esse vírus, vou escrever uma carta de renúncia e guardá-la no bolso do paletó, pronta para ser entregue no momento em que perceba sintomas de que estou faltando com o compromisso de dizer a verdade ao poder”.

Não é o único que fez algo parecido. Isso já foi feito por outro político que poderia ser o oposto em tudo de Varoufakis: Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush, escreveu também sua renúncia pouco depois de assumir o cargo, em 2001. Embora em seu caso fosse para o caso de ter problemas de saúde.

Alexis Tsipras: “Nenhum grego sem ajuda, sem comida, sem eletricidade”

Interrupção das privatizações de interesses nacionais estratégicos

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por María Antonia Sánchez-Vallejo

 

Em discurso para sua equipe de Governo, transmitido ao vivo pela TV da sala do Parlamento, onde se reuniu pela primeira vez o Conselho de Ministros, o novo chefe do Executivo grego, Alexis Tsipras, lembrou quais serão as prioridades do “Governo de salvação nacional” que lidera, como o denominou em duas ocasiões: enfrentar a crise humanitária pela qual passa o país depois de cinco anos de políticas de austeridade e cortes; a recuperação econômica e a criação de empregos; a reestruturação da dívida “que beneficie todos”; o império da transparência –uma das palavras que mais repetiu—; a luta contra a corrupção; a evasão fiscal e o clientelismo.

“Nenhum grego sem ajuda, sem comida, sem eletricidade”, afirmou Tsipras. “Temos nosso próprio programa de reformas com o objetivo de não criar novo déficit, mas também sem os imperativos asfixiantes” impostos pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) desde 2010, quando foi aprovado o primeiro resgate. “Aqui não há vencedores nem vencidos, somos o Governo de todos os gregos, e trabalharemos como tal”, afirmou.

“A atitude da Europa em relação à Grécia mudou depois do resultado das eleições de 25 de janeiros, e estamos dispostos a falar com todos na Europa”, disse, ressaltando que nesta semana visitará Atenas Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, e, na sexta-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

“Precisamos realizar reformas necessárias, que não foram feitas nos últimos 40 anos, para acabar com uma forma de Estado que funcionava contra os interesses da sociedade”, disse Tsipras em seu discurso, referindo-se à corrupção e ao clientelismo. Foi uma fala geral, em que desfiou as ideias centrais de sua campanha –repetidas também na comemoração da vitória, no domingo à noite em Atenas– e em que não anunciou nenhuma medida concreta. Isso ficará a cargo deste primeiro Conselho de Ministros, que passou a deliberar em sigilo depois da introdução televisionada de Tsipras.

Entre outras iniciativas, o Executivo aprovará a alta do salário mínimo a 751 euros (cerca de 2.300 reais), o valor anterior à crise; e a interrupção das privatizações de interesses nacionais estratégicos (parte do porto de Pireu, a empresa pública de eletricidade). Além disso, o vice-ministro da Saúde anunciou “o restabelecimento do acesso universal ao sistema público de saúde e a eliminação do copagamento”.

O novo Governo grego estreia com três superministérios econômicos

O novo Executivo grego — que por motivos de austeridade, e como já havia anunciado o primeiro-ministro Alexis Tsipras durante a campanha eleitoral, fica reduzido a uma dezena dos vinte ministérios existentes em gabinetes anteriores — tomou posse na tarde de terça-feira, por volta das 17h15 (13h15 em Brasília), perante o presidente do país e o próprio Tsipras. À frente dos ministérios não figura nenhuma mulher, embora haja seis vice-ministras e secretárias de Estado. Os titulares dos ministérios, que agora reúnem várias áreas que antes eram autônomas, são, grosso modo, os nomes divulgados ontem pelos meios de comunicação gregos, com especial destaque para a equipe econômica de Tsipras e para o Ministério de Defesa, entregue a Panos Kamenos, líder dos Gregos Independentes (ANEL, direita nacionalista), partido que apoiará a maioria parlamentar do Syriza e o trabalho de governo de Tsipras.

Pela primeira vez na história do país, houve duas cerimônias, primeiro uma religiosa e, na sequência, outra civil. Entre os nove membros do novo Governo que optaram por jurar sobre sobre o Evangelho estava, como se previa, o líder de ANEL, o direitista Panos Kamenos, ministro de Defesa, mas também um homem muito próximo de Tsipras, Panayotis Kurublís (titular da Saúde), que chegou ao Syriza ao deixar o Pasok, em 2011. Imediatamente depois, o resto do Gabinete fez seu juramento, a maior parte dos homens sem gravata, no estilo Tsipras.

Os homens fortes do novo Executivo são membros do círculo mais íntimo de Tsipras, entre eles o vice-presidente Yannis Dragasakis, o único dirigente do Syriza com experiência prévia de governo e que a partir de agora fiscalizará a política econômica do Executivo e, com muita probabilidade, as relações com a troika, e Nikos Pappas — a sombra de Tsipras —, novo ministro de Estado e coordenador de todas as ações de Governo. Yanis Varoufakis, que entre 2004 e 2006 foi assessor do Governo do socialdemocrata George Papandreou, foi confirmado como ministro da Economia, enquanto outro proeminente economista, Yorgos Stazakis, assumirá a pasta do Desenvolvimento. Trata-se, portanto, de uma super equipe econômica encarregada de implementar o chamado Programa de Salônica, no qual 80% das medidas são de caráter econômico.

A ausência de mulheres no Gabinete foi alvo de críticas nas redes sociais, mas não suscitou na Grécia o mesmo ruído que no exterior nem é de todo estranha levando-se em conta a exígua presença feminina no novo Parlamento: só há 68 deputadas (de 300 cadeiras), menos que nas legislaturas de 2009 e 2012. A maioria, 44, pertence à bancada do Syriza. O novo Governo propôs uma mulher, Zoí Konstantopoulou, como presidenta do Parlamento.

No difícil equilíbrio de poder com seu contraditório parceiro de Governo, a direita nacionalista da ANEL, Tsipras deu a Kamenos outros quatro postos de menor categoria; um deles com significado especial: o de vice-primeiro-ministro (Terrence Quick), e teórico contrapeso ao próprio Tsipras. Em troca, Kamenos terá como número dois — e vigilante — na Defesa um veterano do Syriza.

O líder do ANEL voltou a lembrar nesta terça-feira que uma de suas linhas-mestras, a da imigração, “será respeitada”. Sua postura no caso difere radicalmente da do Syriza, assim como em questões como o reconhecimento da antiga república iugoslava de Macedônia. A separação de poderes Igreja-Estado também ficou estacionada em benefício da política econômica, onde a sintonia dos sócios é quase unânime.

O novo Gabinete, que se reunirá pela primeira vez nesta quarta-feira, adotará uma série de medidas urgentes, a primeira das quais será elevar o salário mínimo para 751 euros (cerca de 2196 reais) — valor anterior à crise, que depois de sucessivas reduções ficou nos 580 euros atuais —, restabelecer a negociação coletiva e os convênios sindicais. O segundo pacote consistirá em medidas para facilitar o pagamento de impostos atrasados — com um teto de 20 a 30% sobre a renda anual — e de contribuições à previdência social.

Nos próximos dias, o Gabinete adotará a legislação necessária para fornecer corrente elétrica grátis aos 300.000 domicílios que se encontram abaixo do limite de pobreza. Também reabrirá a antiga televisão pública ERT, fechada pelo Governo anterior em 2013, com a estrutura e o quadro de empregados anterior.