A poesia de José Inácio Vieira de Melo


O jornaleiro

JIVM

PEDRA SÓ

I

Canto de peito ao vento,
um boi de campina anda comigo.
Outra vez as águas antigas,
ravinas na memória do tabuleiro.

É um boi das algarobeiras
que muge a solidão.
Suas manchas, ruminadas na paciência,
reúnem a terra.

O chão secando, serranias, caatingas.
O boi nas malhadas dos céus.
O sabor hereditário estendido em varas,
couros leves secando ao sol.

Sobre o couro do país,
no terraço da província que me é sagrada,
o poeta
o fogo
o cavalo
e os marmeleiros onde se estendem
leopardos sertânicos.

Ao céu do país, no couro esticado,
o nome primeiro, à luz do sol,
à sombra das algarobeiras:
PEDRA SÓ
chã que se abre
ao cavaleiro deslumbrado.

 

VIII

A pele dos carneiros
encadernando os primeiros nomes,
salmos secretos.

Evangelhos da boca do pastor
lavram as visões interiores.
E as ovelhas e os bodes e as cabras,
couros e lãs…

Ver o post original 97 mais palavras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s